O diretor-executivo do Programa de Emergências em Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, afirmou que o Brasil vive uma tragédia. “É difícil. É a quarta vez para o Brasil, eu acredito, pelo menos. A situação no Brasil melhorou em algumas áreas, e em outras não. Eu não acho que tenha havido um momento no último ano em que alguma parte do Brasil não tenha sido profundamente afetada por essa pandemia”, afirmou.
O presidente Jair Bolsonaro, entretanto, voltou a criticar a política de lockdown e os governadores que “fecham tudo estão na contramão do que o povo quer”, apesar do novo recorde diário de mortes registado ontem.
Ryan afirmou que é preciso controlar a transmissão no país, que está ocorrendo em nível comunitário. “Muitas partes do Brasil sofreram intensa transmissão comunitária por um período muito prolongado. Tem sido muito difícil para brasileiros e para o Brasil. É muito difícil em um país muito populoso, onde as pessoas vivem em casas com pessoas de diversas gerações, casas com muitas famílias, muitos vivendo em áreas periurbanas, onde a pobreza e falta de acesso é um problema grande”, afirmou.
O diretor disse ainda que apenas abrir mais leitos de UTI não é uma medida efetiva suficiente. O sistema de saúde em diversos estados brasileiros está em colapso, com taxas de ocupação de leitos de UTI para pacientes com covid-19 acima de 90%.


















