Economia dá sinais de desaquecimento na segunda metade do ano

Por Dentro De Tudo:

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O mercado de trabalho e o crédito mostram os primeiros sinais de desaceleração da economia brasileira no segundo semestre, apontam dados de julho. A geração de vagas formais caiu 32% em relação ao mesmo período de 2024, com a criação de 129,7 mil empregos — o pior julho desde 2020. Ao mesmo tempo, a inadimplência de famílias e empresas atingiu níveis recordes, pressionando o consumo.

A desaceleração é atribuída à alta taxa básica de juros (Selic em 15% ao ano), a maior desde 2006, e a incertezas externas, como tarifas impostas pelos EUA às exportações brasileiras. Economistas destacam que os efeitos da política de juros restritiva começaram a se refletir de forma mais consistente agora, apesar da resiliência do mercado de trabalho, que ainda registra saldo elevado de contratações e taxa de desemprego baixa.

No crédito, a inadimplência das famílias subiu para 6,5% em julho, o maior nível desde 2013, com destaque para o rotativo do cartão de crédito, que atingiu 60,5%, recorde histórico. No agregado, incluindo empresas, a inadimplência chegou ao maior patamar desde 2017. Apesar disso, o saldo da carteira de crédito continuou a crescer, ainda que de forma mais lenta.

Para analistas, os dados indicam uma moderação da atividade econômica, reforçando a expectativa de desaceleração do mercado de trabalho e do crédito nos próximos meses. No mercado financeiro, o movimento de desaceleração aumentou a expectativa de cortes futuros na Selic, favorecendo a Bolsa e reduzindo a pressão sobre a moeda.

Fonte da matéria e foto: Gabriel de Paiva / G1

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