Em um ano, Minas registra 4,1 mil casos de estupro de vulnerável contra menores de 14 anos

Por Dentro De Tudo:

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Minas Gerais registrou 4.101 ocorrências de estupro de vulnerável contra crianças com menos de 14 anos entre 21 de fevereiro de 2025 e 21 de fevereiro de 2026, segundo levantamento divulgado pelo Ministério Público de Minas Gerais com base em boletins de ocorrência da Polícia Civil. No recorte apresentado, 97,27% das notificações são de crimes consumados e 235 casos, o equivalente a 5,7% do total, resultaram em gravidez de meninas.

O balanço também indica que a violência costuma acontecer perto, dentro de relações em que deveria existir proteção. Em 2.169 ocorrências, ou 52,8% do total, o agressor pertence ao círculo familiar ou de confiança da vítima, enquanto outros 227 registros apontam indicativo de relacionamento entre agressor e criança. O levantamento mapeia ocorrências em 611 municípios, o que representa 71,6% do território mineiro.

Na distribuição por regiões, a Região Metropolitana de Belo Horizonte concentra 33,8% dos casos. Em seguida aparecem Triângulo, com 13%, Sul, com 10,2%, e Zona da Mata, com 8,9%. Entre as cidades com mais notificações no período estão Belo Horizonte, com 379, Contagem, com 160, Uberaba, com 135, e Uberlândia, com 105.

O recorte das gestações é um dos pontos que mais tensiona a rede de proteção. O MPMG informou que os casos que resultaram em gravidez serão encaminhados para análise individual, com o objetivo de verificar se houve garantia de direitos e acesso aos serviços necessários. O levantamento foi compartilhado com estruturas regionais para orientar ações de prevenção e articulação com conselhos tutelares, saúde, educação e assistência social.

Especialistas e órgãos de proteção costumam reforçar que estatísticas baseadas em registros policiais podem não capturar a dimensão real do problema, já que parte das vítimas não denuncia por medo, vergonha, dependência do agressor ou pressão familiar. O próprio material do MPMG destaca a subnotificação como obstáculo e aponta que ela pode ser ainda maior entre meninos, por barreiras culturais.

Para contextualizar o cenário brasileiro, dados do Atlas da Violência indicam crescimento de 24,4% nos registros de violência contra mulheres notificados no sistema de saúde entre 2022 e 2023, o que aponta tendência de alta em notificações e reforça a necessidade de prevenção e resposta institucional.

Sinais de alerta citados por órgãos de proteção incluem mudanças bruscas de comportamento, isolamento, medo persistente, alterações de sono, queda no rendimento escolar e queixas físicas recorrentes. Diante de suspeita, a orientação é procurar a rede de proteção e registrar a ocorrência, evitando expor a criança a repetidas narrativas do que aconteceu, já que abordagens inadequadas podem agravar o sofrimento.

Esta matéria foi publicada originalmente no DeFato Online. Foto: Investigador da Polícia Civil – Contagem. Crédito da foto: DeFato Online. Fonte: DeFato Online., março de 2026.

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March 20, 2026 at 08:00PM

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