Entenda por que o goleiro Bruno foi preso novamente 3 anos após obter liberdade condicional

Por Dentro De Tudo:

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O goleiro Bruno Fernandes, condenado pelo assassinato da modelo Eliza Samudio, voltou a ser preso após a Justiça do Rio entender que ele descumpriu regras impostas para manter o benefício da liberdade condicional. O ex-jogador do Flamengo foi localizado na noite de quinta-feira (7), em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, depois de passar cerca de dois meses foragido. Nesta sexta-feira (8), Bruno foi transferido para o Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio. A nova ordem de prisão foi expedida pela Vara de Execuções Penais (VEP) em março, após o Ministério Público e a Justiça apontarem uma série de violações das condições impostas para que Bruno cumprisse a pena fora do sistema prisional.

Por que Bruno voltou a ser preso?

Segundo a Justiça, Bruno descumpriu regras básicas da prisão condicional. O principal episódio citado pela decisão ocorreu em 15 de fevereiro, quando o ex-goleiro viajou ao Acre para jogar pelo Vasco-AC sem autorização judicial. Além da viagem, a VEP apontou que Bruno não retornou ao regime semiaberto quando determinado pela Justiça. O Ministério Público do Rio também afirmou que ele deixou de atualizar o endereço residencial por cerca de três anos, desrespeitou horários de recolhimento noturno e frequentou locais considerados incompatíveis com as condições impostas pelo benefício. Entre os episódios mencionados está uma ida ao Maracanã, em fevereiro deste ano, além de viagens não autorizadas para Minas Gerais. “No que concerne ao descumprimento das condições do livramento condicional, de fato, as condutas do apenado devem ser encaradas como descaso no cumprimento do benefício que lhe foi concedido”, afirmou o magistrado, que destacou que Bruno tinha conhecimento das condições impostas pela Justiça e não poderia alegar desconhecimento.

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O que é liberdade condicional?

O livramento condicional é um benefício concedido pela Justiça a presos que cumprem determinados requisitos previstos na legislação penal. Na prática, o condenado pode cumprir o restante da pena em liberdade, desde que siga regras estabelecidas judicialmente, como manter endereço atualizado, não sair do estado sem autorização, respeitar horários de recolhimento, comparecer periodicamente à Justiça e não frequentar determinados locais. Caso haja descumprimento, o benefício pode ser revogado, como ocorreu no caso de Bruno. Diferentemente do regime semiaberto, no qual o preso ainda permanece sob custódia do Estado e precisa retornar à unidade prisional após o trabalho ou estudo, o livramento condicional permite o cumprimento da pena fora do sistema penitenciário.

Como foi a prisão?

De acordo com a Polícia Militar, Bruno foi encontrado no bairro Porto da Aldeia, em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos do Rio. Segundo os agentes, ele não resistiu à abordagem e colaborou durante toda a ação policial. O ex-jogador foi levado inicialmente para a 125ª DP (São Pedro da Aldeia). Depois, o caso foi encaminhado para a 127ª DP (Búzios), responsável pelos procedimentos legais. A prisão ocorreu após um trabalho conjunto entre os setores de inteligência da Polícia Militar do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Nesta sexta-feira, Bruno foi transferido para o Presídio José Frederico Marques, em Benfica.

O que diz a defesa?

A defesa do goleiro afirmou que Bruno tenta reconstruir a vida e atribuiu o caso a uma possível interpretação equivocada das condições impostas pela Justiça. “O que ocorreu, ao que tudo indica, decorreu muito mais de um desencontro ou de uma incompreensão acerca das condições impostas no período de livramento do que propriamente de qualquer intenção deliberada de afrontar a Justiça.” “Bruno permanece submetido à fiscalização judicial, possui autorização para trabalhar e exatamente por isso vem buscando, através do trabalho honesto e da disciplina, o caminho esperado pelo próprio sistema penal: a ressocialização.” Os advogados informaram ainda que pretendem recorrer da decisão judicial.

Relembre o caso Eliza Samudio

Bruno Fernandes foi condenado pelo assassinato da modelo Eliza Samudio, desaparecida em 2010. A mãe de Eliza incentiva vítimas e famílias a seguirem na luta por Justiça. O ex-goleiro recebeu pena superior a 22 anos de prisão pelos crimes de homicídio, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado. A investigação concluiu que Eliza foi morta após cobrar de Bruno o reconhecimento da paternidade de Bruninho Samudio, hoje goleiro das categorias de base do Botafogo. Bruno permaneceu preso em regime fechado até 2019, quando passou ao semiaberto. Em janeiro de 2023, obteve o benefício do livramento condicional.

Crédito da foto: Divulgação/PMERJ
Fonte: G1

Fonte final: G1 Globo (via g1.globo.com)

Credito da imagem: Divulgação/PMERJ

Nota: Texto reproduzido com fidelidade à matéria original publicada pelo G1.

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