Pesquisadores descreveram quatro novas espécies de peixes do gênero Pareiorhina, conhecidos popularmente como cascudinhos, nativos e encontrados especificamente no Brasil. Até o momento, essas espécies só foram registradas em altitudes mínimas de 650 metros. Os achados ocorreram nos municípios mineiros de Aiuruoca, São Thomé das Letras, Carmo do Rio Claro e Capitólio — estes últimos próximos à Serra da Canastra. Segundo o biólogo e autor principal da pesquisa, Pedro Uzeda, as espécies costumam ter uma distribuição geográfica bastante restrita. Ao longo dos últimos anos, cientistas haviam reportado a presença de uma espécie, Pareiorhina carrancas, em uma região relativamente extensa na bacia do Rio Grande, em Minas Gerais. Entretanto, ao compararem a morfologia dessas supostas populações, os pesquisadores perceberam características diferentes entre elas em cada região. Após análises de DNA, comprovou-se que as espécies tinham diferenças genéticas, reforçando a hipótese de que se tratavam de linhagens similares, porém evolutivamente independentes. Os peixes recém-descobertos foram batizados como Pareiorhina aiuruoca, Pareiorhina isabelae, Pareiorhina sofiae e Pareiorhina mystica.
Uma curiosidade interessante envolve a nomeação da última espécie, para a qual foi utilizado o termo “mystica” em homenagem à cidade onde foi encontrada: São Thomé das Letras, famoso destino místico do país, conhecido por suas lendas, cachoeiras e construções em pedra quartzito. Os pesquisadores destacam que as espécies apresentam distribuição restrita a ambientes de água doce, o que torna a conservação das áreas de ocorrência essencial para evitar impactos de atividades humanas.
As descobertas reforçam o potencial biodiverso da região, que abriga a Bacia do Rio Grande, formadora do Rio Paraná. Conforme os cientistas, apenas uma das novas espécies, a Pareiorhina aiuruoca, foi encontrada dentro de uma Unidade de Conservação. Por isso, há necessidade de ampliar os limites dessas áreas protegidas ou criar novas abordagens de manejo para os ecossistemas de água doce, já que intervenções pontuais podem causar impactos severos.
“Uma das espécies descobertas, a Pareiorhina sofiae, já pode estar ameaçada de extinção, mas uma avaliação oficial por órgãos governamentais é necessária para confirmar seu real estado de conservação”, enfatizam os biólogos. Os pesquisadores pretendem ainda entender as relações de parentesco entre as espécies em um contexto amplo, envolvendo mais grupos e suas funções no ambiente. Pedro Uzeda destaca a importância dos cascudos para o equilíbrio dos rios, por se alimentarem do perifíton, o lodo que cresce sobre o fundo do rio e nas pedras, ajudando a manter a qualidade da água.
O estudo reforça a necessidade de fomento à pesquisa no Brasil e evidencia o quanto a natureza do país ainda precisa ser desvendada e protegida. “A biodiversidade brasileira é muito rica. Isso é um privilégio para nós, biólogos. Por esse elevado número de espécies, temos um compromisso e um desafio gigantesco em nos desenvolver como humanidade de modo que não ocorra perda de espécies brasileiras”, afirma Valter Santos.
Foto: Pesquisadores / divulgação / https://doi.org/10.1111/jfb.70319
Fonte: Journal of Fish Biology
Leia o artigo original (em inglês): Journal of Fish Biology. Sob supervisão de Rodrigo Peronti.
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Observação: Adaptação de fontes e conteúdos originais do Terra da Gente/g1.
















