Uma operação deflagrada nesta quinta-feira (5) investiga um esquema de fraudes judiciais que resultou na inserção e manipulação de mandados de prisão e alvarás de soltura falsos em sistemas oficiais da Justiça. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, há indícios de acesso indevido às credenciais de um policial penal mineiro, além do uso irregular de logins e senhas de servidores do Judiciário.
As diligências cumpriram mandados de busca e apreensão em Goiás e no Distrito Federal, com apoio de forças policiais de diferentes estados. Não houve prisões nesta fase da operação.
Mandados falsos e fuga de presos
De acordo com as investigações, o banco de dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) foi alvo de manipulações em diversas ocasiões nos últimos meses. Em um dos episódios mais graves, houve tentativa de inserção de ordens falsas de prisão contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Segundo o CNJ, os mandados não chegaram a ser efetivamente expedidos e os dados foram rapidamente corrigidos.
Já em outro caso, alvarás de soltura fraudados permitiram que quatro detentos do Ceresp Gameleira, em Belo Horizonte, deixassem o presídio pela porta da frente, sem qualquer autorização judicial legítima.
Como o golpe funcionava
As autoridades explicam que o esquema se baseava no uso fraudulento de credenciais funcionais — logins e senhas de servidores com acesso a sistemas sensíveis, como juízes e policiais penais. Com esses dados, os criminosos conseguiam:
- Inserir ou alterar mandados de prisão;
- Emitir alvarás de soltura falsos;
- Desbloquear valores retidos judicialmente;
- Liberar veículos apreendidos de forma irregular.
No caso específico do policial penal investigado, os acessos indevidos teriam movimentado 92 processos no sistema do CNJ. Um adolescente de 15 anos está entre os suspeitos de integrar o esquema criminoso.
Outros casos ligados à fraude
As investigações também apontam que o mesmo tipo de adulteração beneficiou uma mulher conhecida como “Dama do Crime”, que permaneceu meses foragida após constar, de forma fraudulenta, como presa no sistema judicial.
O CNJ reforçou, em nota, que não houve invasão direta às plataformas, nem falha estrutural, e que todos os episódios decorreram de roubo e uso indevido de credenciais de usuários autorizados.
Investigação em andamento
A operação contou com a participação das Polícias Civis de Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal, além de núcleos de inteligência dos Tribunais de Justiça de MG, GO e SC. As apurações continuam para identificar como as credenciais foram obtidas e quem mais pode estar envolvido no esquema.
Fonte (texto): g1 Minas
Fonte (foto): Gil Ferreira / Conselho Nacional de Justiça


















