O homem de 25 anos que matou o sargento Roger Dias da Cunha, de 29, indiciado pela Polícia Civil (PC) por homicídio quadruplamente qualificado, confessou que cometeu o crime para não voltar para a cadeia, conforme explicou a delegada Ariadne Coelho, durante coletiva nesta segunda-feira (15).
“O investigado já indiciado, ele confessa o tempo todo. Em todas as entrevistas, em todas as oitivas realizadas com ele, ele confirma ter atirado porque ele não queria ser preso, ele não queria voltar para o sistema prisional. Ele demonstram estarem aparentemente frios, são indivíduos de alta periculosidade e eles não demonstram nenhum arrependimento”, disse a policial.
Na noite dos crimes, em 5 de janeiro, os dois foram abordados pelos militares após uma perseguição por roubo de um veículo. Segundo Ariadne Coelho, o atirador não demonstrou arrependimento.
“Em momento algum ele mostrou arrependimento em ter matado o militar. O criminoso foi indiciado por motivo torpe, praticado contra agente da segurança pública, para assegurar a impunidade de outro crime, em razão da simulação que dificultou a defesa da vítima”, detalhou, completnado que o homem beneficiado com uma “saidinha” de Natal tem 18 passagens policiais.
Ele também foi indiciado por tentativa de homicídio triplamente qualificado contra outro militar que participou da abordagem durante a fuga dos suspeito. Ele vai responder também por desobediência, resistência e porte ilegal de arma de fogo. Além disso, ele está sendo investigado pelo roubo do veículo que resultou na perseguição.
O outro suspeito, de 33 anos, responderá por tentativa de homicídio triplamente qualificado contra cinco policiais.
Durante a coletiva a delegada explicou ainda que as imagens que flagram o momento dos disparos contra o sargento Dias foram analisadas por equipes do Departamento de Homicídios e pela perícia do Instituto de Criminalística.
“Nessas duas análises é possível visualizar com certa certeza que o sargento Dias o tempo todo emana para ele ordens de parada e ele não obedece em nenhum momento. Ele (criminoso) chega a levantar a mão esquerda, no sentido de se render, só que concomitantemente ele leva a mão a cintura, pega um revólver dentro da bermuda e já efetua um primeiro disparo em direção à cabeça do sargento”.
O criminoso que matou o sargento foi transferido para o Ceresp Gameleira na última sexta-feira (12). O outro suspeito está internado no hospital Risoleta Neves, para tratar uma infecção provocada por mordidas de cachorros durante uma tentativa de fuga em uma mata. Segundo a delegada, ele negou que estava junto com o outro criminoso na hora do roubo do veículo e, ainda, que nem o conhece. A PC encontrou impressões digitais dele dentro do veículo roubado.
Além do indiciamento por tentativa de homicídio contra os policiais, o suspeito vai responder pela tentativa de homicídio doloso contra um motociclista, atingido pelo veículo roubado na noite do dia 5 de janeiro, quando os criminosos tentavam desviar de um bloqueio policial. Ele também deve responder por desobediência, resistência, tráfico de drogas, posse ilegal de arma.
Relembre o caso
O sargento Roger Dias da Cunha participava de uma perseguição contra dois suspeitos de assalto na avenida Risoleta Neves, altura do bairro Novo Aarão Reis, na região Norte da capital, na sexta. O veículo em que os dois suspeitos estavam, perseguido por viaturas, só parou quando bateu em um poste.
Após o acidente, os suspeitos desceram do carro e continuaram a fuga a pé. Um deles, de 29 anos, foi alcançado pelo sargento. Porém, no momento em que ele dá ordem de parada, o criminoso saca uma arma e atira, atingindo cabeça e perna.
Roger Dias foi socorrido por colegas para o Hospital Risoleta Neves, em Venda Nova, e encaminhado em seguida para o João XXIII. Ele ficou internado em estado gravíssimo por trÊs dias. Os projéteis estavam alojados no cérebro e o caso irreversível. A morte foi confirmada no domingo (7).
O suspeito de atirar no policial foi preso minutos depois. Já o segundo, de 33 anos, foi localizado escondido dentro de um chiqueiro. Os dois tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva em audiência de custódia.
Sepultamento ocorreu na última terça-feira (9), em um jazigo de honra da Polícia Militar, no Bosque da Esperança, em BH. A família autorizou a doação dos órgãos do militar.
O sargento Roger Dias era casado e deixa uma filha de cinco meses. Ele estava na Polícia Militar há cerca de 10 anos.
Fonte: Itatiaia.


















