O vírus Nipah, considerado um dos patógenos mais letais conhecidos, voltou a acender o alerta das autoridades de saúde após a confirmação de dois casos recentes na Índia, no estado de Bengala Ocidental. Segundo o Ministério da Saúde indiano, a situação foi controlada rapidamente, com monitoramento rigoroso e isolamento de quase 200 pessoas que tiveram contato com os infectados.
Transmitido principalmente por animais, como morcegos e porcos, ou por alimentos contaminados, o vírus não possui vacina nem tratamento específico. A abordagem médica se limita a cuidados de suporte, voltados para o controle das complicações e manutenção das funções vitais. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa de mortalidade varia entre 40% e 75%, superando a de doenças como a Covid-19.
Os sintomas iniciais costumam se assemelhar aos de uma gripe, incluindo febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Em quadros mais graves, podem surgir problemas respiratórios, alterações neurológicas, convulsões e inflamação cerebral, com risco de coma. O período de incubação geralmente varia de quatro a 14 dias, mas pode chegar a 45 dias.
Apesar de não haver registros de casos fora da Índia neste episódio, países asiáticos como Tailândia, Indonésia, Vietnã, Myanmar e China reforçaram medidas preventivas. Entre as ações estão triagem em aeroportos, uso de scanners térmicos, monitoramento de passageiros vindos da Índia e ampliação da vigilância sanitária em fronteiras e unidades de saúde.
Especialistas avaliam que o risco de uma pandemia é considerado baixo, já que a transmissão entre humanos é limitada e exige contato próximo e prolongado. Além disso, não há registros de infecções assintomáticas, o que facilita a identificação dos casos. Ainda assim, a OMS mantém o vírus Nipah na lista de doenças prioritárias para pesquisa, ao lado de Ebola, Zika e Covid-19, devido ao seu potencial de causar surtos graves.
Fonte do texto: RFI
Fonte da foto: Universal Images Group / Getty Image

















