Hip-hop Transforma a Páscoa em Pedro Leopoldo

Por Dentro De Tudo:

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Com rimas, batidas e solidariedade, a 2ª Edição da Páscoa Solidária Batalha da Lua ocupou o Bairro Teotônio Batista de Freitas, provando que a cultura é a ferramenta mais poderosa de inclusão.

A quadra poliesportiva Carlos Gonzaga Marinho, no último sábado, não era apenas um espaço de cimento e marcações esportivas. Na véspera da Páscoa, o local pulsava. O som do bumbo e da caixa anunciava que a 2ª Edição da Páscoa Solidária Batalha da Lua estava ocupando o seu lugar de direito no coração do bairro Teotônio Batista de Freitas.

O evento, fruto de uma parceria entre o Coletivo Batalha da Lua e o Coletivo da Lua, reuniu cerca de 600 crianças — e uma multidão de adultos — em um dia em que a alegria foi a atração principal. Nem mesmo um imprevisto elétrico no início da tarde foi capaz de desanimar a equipe. Pelo contrário: o contratempo serviu para provar que, no Hip-hop, a improvisação e a união são as chaves para superar qualquer desafio.

Entre Hits e Sorrisos

O palco, comandado por Ministro MC, apresentaram-se nomes como MC Renovado, John MDP, D’Aleto e o grupo Espada de Fogo, garantindo a representatividade do Funk e do Rap local. O MC Chapoka levou o público ao delírio com os hits “Dança do Ombrinho” e “Boneco do Posto” . Enquanto o DJ Patão remixava clássicos infantis com batidas dançantes, o palhaço Pimpolho e o tradicional Coelhinho da Páscoa garantiam o lúdico para os pequenos.

Mas a ação foi além do entretenimento. Em um canto da quadra, a dupla Yan e Antônio trabalhava incessantemente. Com máquinas e tesouras em mãos, eles ofereceram cortes de cabelo gratuitos, devolvendo não apenas um novo visual, mas autoestima e dignidade para os jovens da comunidade. “Ver o sorriso e a alegria no rosto de cada uma faz valer todo nosso esforço. É por momentos como este que a gente ‘bota marcha’ e não deixa o rolê parar”, desabafou Zeno , um dos articuladores do evento, em meio à agitação da organização.

A Voz da Consciência

Se o dia foi de festa, o entardecer trouxe a reflexão. Às 18h, a distribuição de 1.000 potes de chocolates adoçou a noite de crianças e adultos. Foi o momento em que a cultura Hip-hop mostrou sua face política e consciente.

Ministro MC, veterano com 30 anos de militância no movimento, aproveitou o microfone para um discurso necessário sobre território e exclusão. “Celebramos, mas não romantizamos”, pontuou. “Se conseguimos fazer tanto com poucos recursos, imagina se quem tem o poder também fizesse?”. Sua fala ressoou como um manifesto da capacidade de autogestão das periferias.

O Ápice nas Rimas

A noite caiu, mas a temperatura subiu com as Batalhas de Rimas. Sob os beats do DJ Blackout, o duelo de mentes rápidas consagrou Astro (Vespasiano) e Frosty (Sete Lagoas) como os campeões da edição. O encerramento, com o show de Sidoka, selou o sucesso de um evento que já nasce com a marca da maturidade.

A coordenação — composta por Zeno, Bruno Sena, PG e Ministro — encerrou a jornada com a sensação de dever cumprido e o apoio institucional fortalecido. Com o suporte da Prefeitura de Pedro Leopoldo e de parceiros locais, a Batalha da Lua reafirmou que a Páscoa, para eles, é sinônimo de renascimento cultural e resistência social.

Por Vanderlei Dias

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