Homem picado por cobra descobriu que tomou 20 doses de soro errado com ajuda de IA; saiba como

Por Dentro De Tudo:

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Leandro Marques do Nascimento, de 46 anos, foi picado por uma cobra jararacuçu em Eldorado, interior de São Paulo, e ficou um mês internado. O caso ganhou repercussão ao se descobrir que o paciente recebeu 20 doses de soro antiofídico para neutralizar o veneno da cascavel, após uma identificação equivocada da equipe médica, supostamente ajudada por inteligência artificial.

O servidor público estava pescando com a esposa no Parque Salto da Usina, no dia 7 de março, quando encontrou a cobra nas proximidades. Tirou duas fotos antes de ser levado para o pronto-socorro da Santa Casa de Eldorado. Segundo Leandro, o médico da unidade de saúde aplicou dez soros antiofídicos para o veneno da cascavel, concluindo tratar-se desse tipo de serpente. “Foi negligência médica mesmo porque ele poderia ter feito uma videoconferência com o hospital do Butantan, que é referência mundial, ou entrar em contato com um biólogo para mostrar a foto”, afirmou o paciente.

À medida que os sintomas pioraram, ele foi transferido para o Hospital Regional Dr. Leopoldo Bevilacqua, em Pariquera-Açu. A equipe de atendimento ligou à primeira unidade, mas uma funcionária informou erroneamente que ele havia recebido soro para o veneno da jararacuçu. Ainda segundo o relato, o paciente começou a melhorar com os dois soros corretos, mas no dia seguinte, o médico de plantão viu o prontuário com as dez doses para o veneno de cascavel e receitou mais dez antiofídicos contra a espécie errada.

Uso de IA

Leandro viu as duas fotos da cobra em duas plataformas de inteligência artificial (ChatGPT e Gemini). As ferramentas indicaram unanimemente tratar-se de uma jararacuçu e explicaram as características que ajudam a diferenciar uma jararacuçu de uma cascavel. “Então, penso eu que está evidente que o médico que me atendeu no momento não estava preparado para esse tipo de ocorrência”, afirmou.

Leandro também utilizou IA para saber como pedir ajuda. A orientação foi enviar as imagens via WhatsApp ao Instituto Butantan, o que ocorreu pela irmã dele no dia 9 de março. A resposta recebida informou a necessidade de notificar a equipe hospitalar sobre a divergência na identificação do animal: ele recebeu soro anticrotálico (para cascavel), mas o acidente foi causado por uma jararacuçu. Recomendaram contato imediato com o Hospital Vital Brasil para revisar o protocolo e a conduta terapêutica.

Alta e sequelas

O servidor recebeu alta na segunda-feira, 6 de abril. “Fiquei com sequelas. Não estou conseguindo mexer a perna, estou com a perna toda dolorida ainda, não sei se eu consigo voltar a andar”, relatou Leandro.

Posicionamentos institucionais

O Hospital Regional Dr. Leopoldo Bevilacqua declarou, por meio de nota, que, devido ao sigilo médico e à privacidade dos pacientes, não fornece informações sobre casos específicos. A instituição acrescentou que todos os pacientes são atendidos conforme protocolos assistenciais rigorosamente seguidos na unidade, que é referência no Vale do Ribeira e no Litoral Sul. O g1 não localizou a Santa Casa de Eldorado até o momento.

Crédito da foto e fonte

Foto de Leandro Marques do Nascimento durante o acompanhamento médico: Arquivo Pessoal. Foto adicional mostra Leandro e a cobra à esquerda, com a identificação de jararacuçu, e a imagem da cascavel à direita, demonstrando o equívoco médico. Fonte: g1 Santos. Crédito da foto: Arquivo Pessoal de Leandro Marques do Nascimento.

Fonte: g1 Santos, reportagem publicada em 11 de abril de 2026.

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