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 VÍDEO: Políticos e população se unem para tentar evitar licitação de concessão da MG-424
VÍDEO: Políticos e população se unem para tentar evitar licitação de concessão da MG-424
Os moradores de Pedro Leopoldo demonstraram a insatisfação com a possibilidade de instalação dos pedágios. Uma ação será executada para tentar barrar a licitação. Existe a possibilidade de manifestação com fechamento da rodovia
Por Ronaldo Araújo
Repórter
Publicado 10/04/2018

A população e as autoridades de Pedro Leopoldo, Confins e São José da Lapa se uniram para tentar impedir que, pelo menos, a praça de pedágio prevista para ser instalada no trecho entre Pedro Leopoldo e Belo Horizonte não seja construída, conforme prevê o edital de concessão da MG-424. As decisões foram tomadas durante reunião pública ocorrida na noite desta segunda-feira (09), na Escola Municipal Luiz de Melo Viana, no Centro de Pedro Leopoldo. Cerca de 250 pessoas participaram ativamente do evento. Confira abaixo a reportagem com as entrevistas.

Após as explicações sobre o processo de concessão, as possíveis falhas, como por exemplo, a não realização de audiência pública em São José da Lapa, perímetro onde será instalada o primeiro pedágio, as autoridades partiram para a ação e pediram a colaboração de todos os presentes.

Como o prazo é curto, já que a licitação para concessão está marcada para o dia 26 de abril, as autoridades vão trabalhar em duas alternativas. A primeira jurídica, com apoio de vereadores, secretários e da população, para tentar barrar a licitação.

“Na próxima quinta-feira, dia 12 de abril, já teremos uma reunião com a Promotoria de Pedro Leopoldo e também de Vespasiano, que atende a São José da Lapa. O nosso foco principal agora é demonstrar que o Governo Estadual cometeu alguns equívocos no edital e tentar suspendê-lo. Vamos interpor uma ação”, explicou Thomas Lafetá, Secretário de Administração de Pedro Leopoldo.

Caso não tenham sucesso na ação, haverá uma manifestação popular na rodovia MG-424, provavelmente no dia 20 de abril, seis dias antes da licitação, que é o prazo necessário para barrar a licitação. Essa iniciativa atrairia a atenção da mídia a nível estadual. Além disso, serão colhidas assinaturas para um abaixo-assinado que estará disponível até a próxima semana em estabelecimentos comerciais de Pedro Leopoldo e, também, online.

“Temos tempo ainda. Até o dia 15 de abril estaremos com o protocolo pronto para a suspensão dessa licitação. Se precisar, vamos parar a estrada para mostrar o Governo Estadual que não vamos pagar essa conta. O ex-governador tinha esse dinheiro para o investimento e agora estão propondo o pedágio. Não vamos aceitar”, frisou Cristiano Marião, Prefeito de Pedro Leopoldo.

Revolta popular – Durante a reunião, vários moradores de Pedro Leopoldo manifestaram sua indignação sobre a instalação dos pedágios. O advogado Hilton Camargos levou algumas anotações retiradas do próprio site do Governo de Minas Gerais mostrando obras parecidas que foram executadas e entregues sem a necessidade de concessão.

“Através de pesquisas, inclusive na página da SETOP, encontrei uma declaração do próprio governo sobre os gastos das obras que já foram realizadas no Estado. Essas obras, tanto em quilometragem quanto no custo, são muito maiores a prometida na MG-424, de BH até Sete lagoas. Se fossem fazer a obra com o recurso do próprio do Estado, de Matozinhos a Sete Lagoas, que é a parte não revitalizada, sairia muito mais barata. É importante que se diga, não existe duplicação de toda a via. O projeto é muito mal feito e os desvios em Matozinhos e Prudente de Morais são com pista simples. Existem formas de se essa revitalização sem precisar da concessão”, disse Hilton.

Outro cidadão, identificado como Gilmar, levantou a possibilidade de boicote à MG-424, caso nenhuma das alternativas apresentadas na reunião tenha sucesso. “Boa parte do tráfego da MG-424 são de moradores de Pedro Leopoldo. Não vamos passar por ess
a rodovia. Daremos a volta pela MG-010. Quero ver se alguma empresa vai querer gerir um pedágio que não dará lucro”.

Para o radialista Constantino Leão, a mobilização popular é excelente. “É o certo a se fazer. Esse pedágio é totalmente fora de contexto para nossa região. Defendemos que sejam feitas revitalizações, mas sem onerar o cidadão”, disse.

Políticos unidos -  Apesar da demora na ação, com curto prazo para a execução, os vereadores de Pedro Leopoldo, Confins e São José da Lapa, e seus respectivos prefeitos e vices, demonstraram estar unidos nesta causa, assim como ocorreu após o anúncio da transferência dos voos de Confins para a Pampulha, em 2017. Aliás, essa case de sucesso é a referência para que o cenário da MG-424 também possa ser revertido.

O Prefeito de São José da Lapa, Diego Álvaro, disse que a população não poderá ser penalizada e lamentou a não realização de audiência pública na cidade. “Temos a consciência que o desenvolvimento tem que chegar, mas tem outras alternativas que não sejam através do pedágio. Não podemos pagar por essa conta. Não podemos ser penalizados, pois nossa estrada já está duplicada. Queríamos uma audiência em São José da Lapa, que é onde estará localizada a praça de pedágio, mas não tivemos retorno”.

Segundo o Vereador Sidirley Bento, Presidente da Câmara de Matozinhos, a forma que o Governo está colocando a revitalização não condiz com o que foi dito em 2013, pelo então Governador Antônio Anastasia. “Somos a favor da construção da alça de Matozinhos e Prudente, mas também somos favoráveis a essa discussão. Vejo como uma proposta eleitoreira. Existia um recurso empenhado na casa dos 50 milhões para fazer esse contorno viário. Isso não aconteceu”, lembrou.

Abaixo-assinado – Em Pedro Leopoldo, as assinaturas serão recolhidas a partir desta quarta-feira (11) na entrada da Prefeitura, nas lojas Gabriela e Vivan Calçados, no terminal rodoviário e no EPA supermercados.

Clique aqui para assinar o link da petição online contra a concessão da MG-424.

A ideia é levar esse mesmo abaixo-assinado para as cidades vizinhas, mas, por enquanto, não há previsão para que isso aconteça.

Concessão necessária - O SETOP alega que a concessão é necessária diante da “atual ausência de capacidade financeira do Estado de arcar com uma obra do porte da que está sendo proposta para a MG–424”.


Segundo o órgão, os pedágios cobrirão integralmente os custos de operação, manutenção, administração, investimentos e prestação de serviços no trecho. “Não haverá contraprestação do Estado”.



Reportagem e fotos: Ronaldo Araújo.

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