Infecções Sexualmente Transmissíveis crescem até 2.000% em 10 anos, em Minas

As Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) cresceram bastante nos últimos 10 anos em Minas Gerais. Os casos de sífilis adquiridas, ou seja, aquelas que são transmitidas de uma pessoa para outra, passaram de 712 em 2011 para 16.017 em 2021, ou seja um aumento de 2.149%. Os casos de HIV também subiram, passando de 734, em 2011, para 3.289 em 2021, um aumento de 348%. 

As sífilis em gestantes e a sífilis congênita que passa de mãe para filho também aumentaram bastante. A primeira passou de 594, em 2011, para 5.410 casos em 2021, um aumento de 810%. Já a segunda, passou de 305 casos em 2011 para 2.099 em 2021, um aumento de 588%. Em contrapartida, os casos de Aids e Hepatite B caíram. 

Veja a situação epidemiológica ano a ano:

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A coordenadora de IST, aids e hepatites virais da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Mayara Cristina Marques de Almeida explica que os principais comportamentos de risco que podem levar a disseminação dessa doença são as relações sexuais desprotegidas. Ela ressalta que atualmente os casos de sífilis não só em Minas, mas como em todo Brasil têm aumentado muito por causa da variedade de parceiros e da resistência quanto ao uso do preservativo. 

“Relações sexuais sem uso de preservativos são a principal forma de transmissão, mas os compartilhamentos de materiais utilizados pelas manicures também são fontes de transmissão para a hepatite B. Temos também a transmissão vertical, que é quando a IST é passada de mãe para o filho, durante a gravidez ou no momento do parto ou pela amamentação”, explica. 

Aumento de casos também se deve a maior diagnóstico

Mayara explica que além da falta do uso de preservativos por resistência de algumas pessoas, o aumento de casos de doenças sexualmente transmissíveis se deve a um maior diagnóstico. “Ampliamos o diagnóstico de uma forma relevante para o Estado. Hoje muitas Unidades Básicas de Saúde realizam o diagnóstico através da testagem rápida, que é um teste em que o resultado sai em 30 minutos e com essa ampliação nós descobrimos mais casos”, ressaltou.

A coordenadora explicou que a vigilância epidemiológica está mais atuante, mais preocupada em manter o sistema atualizado e a notificação dos casos está muito mais sensível que há dez anos atrás. “Hoje temos um diagnóstico precoce que é muito importante, podemos observar que temos muito mais casos de HIV que de Aids, o que demonstra isso”, complementa.

Óbitos por Sífilis aumentaram nos últimos 10 anos

As mortes por sífilis passaram de sete em 2011 para 21 em 2021. No entanto, nos anos de 2015 até 2019, esses números de morte ficaram ainda mais altos, variando de 28 até 58 óbitos. Já as mortes por aids e por hepatite B caíram entre 2011 e 2021.
 

Veja o quadro que com as mortes por ano:

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O que é feito pela secretaria para evitar as ISTs

Atualmente são distribuídos preservativos femininos e masculinos pela SES-MG para evitar a transmissão. “São feitas compras e distribuição de  lubrificantes e a compra e distribuição de fórmula infantil para crianças de mãe HIV positivo para evitar a transmissão vertical. Também são feitas campanhas educativas e a publicação e divulgação do cenário epidemiológico dessas ITS que ajudam a subsidiar as ações dos municípios de prevenção”, explica Mayara. 

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