O vendedor de 18 anos chama a atenção de quem passa pelo semáforo próximo ao shopping de Mogi das Cruzes com o que chamou de “Pix da Honestidade”. A proposta é simples: o motorista pega o doce durante o sinal vermelho e faz o pagamento depois, sem precisar interromper o trânsito. Em vez de pagar na hora, ele entrega um papel com um QR Code e a mensagem “Pix da Honestidade”. O objetivo, segundo o jovem, é evitar que a transação atrase a saída dos veículos quando o sinal abre.
Ele conta que conheceu a ideia ao buscar uma forma de voltar a vender doces nos semáforos. Após assistir a vídeos de outros vendedores que já utilizavam esse modelo de pagamento, decidiu colocar a estratégia em prática. O jovem afirma ter começado a trabalhar nas ruas aos 7 anos, acompanhando a mãe, que buscava complementar a renda da família. Nos anos seguintes, abriram dois comércios, mas os negócios não prosperaram. O segundo estabelecimento fechou em 2022, e desde então ele voltou a vender doces nos semáforos para obter renda.
No início, o jovem passava cerca de seis horas por dia nas ruas e lucrava entre R$ 30 e R$ 40. Por isso, chegou a desistir da atividade por um período. Tentou conseguir um emprego, mas diz ter sido vítima de um golpe após pagar por um curso acreditando ter sido contratado. “Depois disso, cansei e voltei a vender nas ruas. Hoje agradeço pelo golpe. Nada é por acaso”, afirma.
Em 2026, o jovem vende balas e paçocas, sozinho ou acompanhado de colegas de semáforo que também utilizam esse método de pagamento. Nos panfletos, ele usa o slogan “criando o caminho para ser um grande empreendedor”. O trabalho ocorre no semáforo próximo ao shopping da cidade. Segundo ele, alguns motoristas que passam com frequência já se tornaram clientes fiéis. A forma de pagamento não surpreende muitos, pois o modelo do “Pix da Honestidade” é conhecido pelo público.
“Sempre tento usar uma abordagem diferente para estabelecer uma conexão real com as pessoas, puxando conversa. Minha causa geralmente não é o foco”, relata. Ele afirma que cerca de 80% dos clientes pagam após receber o produto; os outros 20% não enviam o Pix. O vendedor diz que fatura aproximadamente R$ 5 mil por mês com as vendas, sendo cerca de R$ 1,5 mil usados para repor mercadorias e o restante, cerca de R$ 3,5 mil, fica como lucro.
Enquanto continua vendendo doces no semáforo, o objetivo é ampliar as vendas com o “Pix da Honestidade” e juntar dinheiro para abrir uma loja de eletrônicos e se tornar empresário.
Texto: via g1
Foto: g1
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