Leite sem lactose não é igual a lactose zero: o que há por trás do rótulo

Por Dentro De Tudo:

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No varejo, quem não tolera bem laticínios encontra na embalagem a palavra “zero”. Mas a prática da indústria é trazer lactose já digerida pela enzima lactase, presente no processo de produção. A legislação brasileira só permite o rótulo “sem lactose” quando há no máximo 100 miligramas de açúcar por 100 mililitros; ainda assim, pode haver desconforto em alguns consumidores, mesmo com esse teor residual.

Nenhum leite nasce sem lactose. O leite de vaca, naturalmente, contém o açúcar entre 4 e 5 gramas a cada 100 mililitros. O que transforma esse leite no formato “zero” é a adição da lactase, enzima que quebra parte da lactose em glicose e galactose dentro da própria embalagem, tornando o produto mais fácil de digerir para quem tem intolerância. Contudo, a quebra nunca é completa: sempre fica uma fração de lactose intacta, mantida dentro do limite regulatório. É esse resíduo que o rótulo não mostra.

A ANVISA estabelece que até 100 miligramas por 100 mililitros podem caracterizar o rótulo isento; entre 100 miligramas e 1 grama, o produto entra na categoria de baixo teor. A orientação clínica aponta que pequenas quantidades de lactose raramente provocam sintomas, e, para estourar o desconforto, costumam ser necessárias quantidades bem maiores.

Na fiscalização do período 2021-2025, a conformidade de lácteos com o teor permitido ficou acima de 97%, indicando que, na grande maioria dos casos, o resíduo está dentro do teto. No entanto, nem sempre o problema é a lactose residual: há um grupo de pessoas com intolerância acentuada que pode reagir a essa fração mínima, e, em muitos casos, o sintoma é causado por outra condição ou componente do leite.

Entre as possibilidades investigadas pelos médicos estão a síndrome do intestino irritável, supercrescimento bacteriano no intestino delgado e intolerâncias a outros açúcares, como a frutose, presentes no mesmo produto. Também há quem tenha reação à caseína, proteína do leite, o que explica a diferença entre reações a leite comum e a versão “zero” para alguns indivíduos.

Para confirmar a intolerância, podem ser usados testes genéticos, testes respiratórios após ingestão de lactose e exames de sangue com monitoramento da glicose. A diferença entre má absorção e intolerância é crucial; sem sintomas após o consumo, não há indicação de tratamento específico para intolerância.

Se confirmada a condição, o acompanhamento médico é essencial. A sugestão não é simplesmente abandonar o leite, mas individualizar a conduta: testar diferentes marcas com diferentes níveis residuais, usar lactase em cápsula, reduzir a porção consumida ou optar por bebidas vegetais quando necessário. Manter a saúde intestinal, praticar atividade física e gerenciar o estresse pode reduzir a frequência dos sintomas, embora não elimine a intolerância.

É importante evitar cortes alimentares excessivos por conta própria, pois isso pode levar a deficiências nutricionais. O diagnóstico adequado orienta a melhor conduta para cada paciente.

Imagem: https://ift.tt/Bt0hLju

Texto: via g1
Foto: g1

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