A limerência é um estado emocional marcado por desejo intenso, intrusivo e obsessivo por outra pessoa, frequentemente confundido com paixão, mas com características mais próximas de uma dependência emocional. O termo foi cunhado na década de 1970 pela psicóloga Dorothy Tennov, após entrevistas sobre amor romântico que identificaram um padrão de pensamentos repetitivos, esperança constante de reciprocidade e forte sofrimento ligado à incerteza.
Diferentemente do fascínio típico do início de um relacionamento, que tende a diminuir com o tempo, a limerência pode durar de 18 meses a três anos ou até mais. O neurocientista Tom Bellamy descreve a experiência como um “estado alterado”, com euforia inicial, aumento de energia e otimismo, seguido por ansiedade e sensação de perda de controle. A incerteza sobre ser correspondido funciona como combustível, mantendo a pessoa presa a um ciclo de expectativa e frustração.
Especialistas explicam que o limerente pode negligenciar sono, alimentação, trabalho e outros relacionamentos, já que seus pensamentos ficam dominados pela pessoa desejada, chamada de “objeto limerente”. Embora nem todos desenvolvam comportamentos prejudiciais, pesquisadores alertam que, em casos extremos, a obsessão pode evoluir para atitudes invasivas, como perseguição.
A limerência não é formalmente reconhecida como transtorno psicológico, mas estudos apontam possíveis associações com padrões de apego ansioso e mecanismos de recompensa do cérebro ligados à dopamina. A principal estratégia indicada para reduzir o quadro é interromper ou limitar o contato com o objeto da obsessão, já que a ausência de estímulos e de “lampejos” de esperança tende a enfraquecer gradualmente o ciclo emocional.
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