Mães de alunos da academia C4 Gym, no Parque São Lucas, na Zona Leste de São Paulo, afirmam que a unidade já apresentava problemas na piscina desde abril de 2024, com excesso de produtos químicos na água. O local é o mesmo onde uma professora morreu após utilizar a piscina neste final de semana. Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu após apresentar problemas respiratórios provocados pelo uso da piscina da academia, e o marido dela, Vinícius de Oliveira, permanece internado em estado grave.
Fabiana Borges, mãe de uma ex-aluna da academia, relatou que chegou a registrar uma reclamação à administração da C4 Gym na época. Segundo ela, a queixa foi feita depois que a filha apresentou uma crise intensa de tosse após participar de uma aula na piscina. “Foram várias crises e, mesmo após tomar banho, ela ainda tinha cheiro de cloro no corpo. Teve um episódio em que ela entrou na piscina e, ao sair, o maiô ficou totalmente desbotado”, disse Fabiana. Em outro relato, Fabiana afirmou que houve dia em que o cheiro na piscina infantil, ao lado da adulta, estava insuportável, parecendo muito ácido. “Até o professor que estava dando aula falou que o cheiro estava estranho. Eu falei: ‘tá bastante, né?!’ Ela começou a tossir. Eu pedi para ela parar a aula e a tirei da aula”, completou.
Ionice Lucindo, mãe de outra criança que frequentava a academia, contou que o filho apresentou bronquiolite que se agravou durante as aulas na unidade. “Ele tossia, tossia e vomitava. Teve um dia que falei: ‘professora, o que vocês colocam na água? Porque ele devia estar melhorando e está piorando’. Ela disse que era cloro e ozônio. O cheiro era muito forte, que penetrava e dava alergia na criança. Tive que tirá-lo, porque senão ele morreria e eu teria que levá-lo ao médico, porque atacava a bronquite”, relatou Ionice. Fabiana afirmou que retirou a menina da aula de natação e que a administração da unidade admitiu, por meio de e-mail, que a água era tratada com ozônio e uma quantidade mínima de cloro. Segundo Ionice, no dia em que sentiu o cheiro forte, a academia informou que a máquina de ozônio havia apresentado um problema, que foi reparado e voltou a operar normalmente.
De acordo com a família, a dona da unidade disse que a água era tratada com ozônio e uma pequena quantidade de cloro. A filha de Ionice, ao sair da aula, não teve o dinheiro do plano anual devolvido pela C4 Gym. O advogado da academia não quis gravar entrevista. A empresa publicou nota lamentando o ocorrido e afirmando ter prestado atendimento imediato a todos os envolvidos, mantendo contato e oferecendo suporte, além de colaborar com as autoridades. Em nota, a C4 Gym garantiu que está conduzindo uma apuração interna rigorosa e reforçou o compromisso com a transparência.
A investigação da polícia aponta que houve uma possível mistura de produtos químicos na área da piscina, o que teria gerado gases tóxicos no ambiente e causado intoxicação entre alunos. O delegado Alexandre Bento, responsável pelo 42° Distrito Policial (Parque São Lucas), informou que a grande dificuldade foi a ausência de cooperação da empresa, com o empresário não comparecendo para dar explicações. Ele afirmou que a polícia tenta localizar o manobrista responsável pela manutenção da piscina para identificar os produtos usados e as proporções da mistura. Bento explicou que o local permanece interditado pela Vigilância Sanitária e que foi necessária a retirada de todos com equipamentos de proteção para a perícia, com abertura de janelas para dissipar gases.
Durante a apuração, a Subprefeitura Vila Prudente interditou preventivamente a academia C4 Gym, citando irregularidades como a existência de dois CNPJs vinculados à atividade, a ausência do Auto de Licença de Funcionamento e a precariedade das condições de segurança. A polícia também apreendeu amostras da água da piscina e dos produtos químicos usados na unidade. O caso levou a que a instituição fosse fechada e que a perícia, com apoio de bombeiros, ocorresse no local.
A professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu após usar a piscina da academia. O marido, Vinícius de Oliveira, também ficou gravemente ferido e foi entubado; um adolescente de 14 anos ficou hospitalizado na mesma unidade e outras duas pessoas receberam atendimento médico e foram liberadas. O velório de Juliana foi marcado para a segunda-feira, às 8h, no Velório Avelino, no Jardim Avelino, em São Paulo, com o enterro às 14h no Cemitério Quarta Parada. Familiares disseram que Juliana e Vinícius se casaram em dezembro de 2024, poucos meses antes, e que ela era apaixonada por ioga e participava de uma comunidade espírita.
Em resposta, a academia afirmou que, assim que soube do ocorrido, interrompeu imediatamente as atividades da piscina, acionou o socorro e seguiu as orientações das autoridades competentes. A rede também informou que, em sinal de respeito e luto, as unidades próprias da cidade de São Paulo permaneceriam fechadas na segunda-feira (9).
O caso segue sob investigação pela Polícia Civil e pela Vigilância Sanitária, com a presença de amostras coletadas para análise e a tentativa de identificar os responsáveis pela mistura dos produtos químicos. A Secretaria de Segurança Pública informou que o caso é investigado pelo 42° Distrito Policial e que, após a perícia, diligências e apreensões, as investigações continuam para o total esclarecimento dos fatos.
Crédito da foto: Montagem/g1/Reprodução/TV Globo
Fonte: G1 (TV Globo)

















