Nos últimos quatro anos, mais de 75 mil pessoas foram diagnosticadas com sífilis em Minas Gerais, conforme dados da Secretaria de Estado de Saúde. A doença, que parecia controlada, tem avançado silenciosamente, causando preocupação entre especialistas. Em 2022, foram mais de 21 mil registros e, em 2023, o número saltou para quase 25 mil. Neste ano, já são mais de 4 mil casos confirmados.
Avanço silencioso e preocupante
Tatiani Fereguetti, médica infectologista e gerente assistencial do Hospital Eduardo de Menezes em Belo Horizonte, destacou no podcast Gerais no g1 a gravidade do aumento dos casos de sífilis no estado. “A sífilis é uma doença evitável e de tratamento acessível, mas ainda assim, estamos vendo um crescimento alarmante nos casos, especialmente entre os jovens e os idosos, que muitas vezes desconhecem os riscos e as formas de prevenção”, alerta.
O que é a sífilis?
A sífilis é uma infecção bacteriana geralmente transmitida por meio do contato sexual, mas também pode ser passada de mãe para filho durante a gestação ou parto. A doença se manifesta em quatro estágios: primário, secundário, latente e terciário, cada um com sintomas distintos. No estágio primário, pode surgir uma úlcera indolor no local da infecção. Se não tratada, a sífilis evolui para o estágio secundário, caracterizado por erupções cutâneas, febre e dores musculares. A fase latente pode durar anos sem sintomas visíveis, mas a doença permanece no corpo e pode progredir para o estágio terciário, que afeta órgãos internos e pode ser fatal.
Prevenção e tratamento
A prevenção da sífilis inclui práticas de sexo seguro, como o uso de preservativos, e a realização de exames periódicos, especialmente para gestantes, já que a transmissão vertical (de mãe para filho) pode ter consequências graves para o bebê. “O teste para sífilis é simples e está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). O tratamento, quando a doença é detectada precocemente, é eficaz e envolve a administração de antibióticos”, explica Fereguetti.
Combate à desinformação
Um dos maiores desafios no combate à sífilis é o estigma que cerca a doença, gerando desinformação. Esse tabu impede que muitas pessoas busquem ajuda ou compartilhem informações sobre prevenção. “Precisamos desmistificar a sífilis e educar a população, especialmente os jovens e idosos, sobre a importância da prevenção e do tratamento”, enfatiza a médica.
O aumento dos casos de sífilis em Minas Gerais reflete uma tendência global, com a detecção da doença crescendo em várias partes do mundo. A conscientização, a educação em saúde e o acesso a tratamentos são cruciais para reverter essa escalada e proteger a saúde pública.



















