Um pequeno aparelho dotado de inteligência artificial que transforma óculos em objetos “falantes” e “inteligentes” está se difundindo no País para ajudar na inclusão social e equidade de pessoas cegas ou com baixa visão. É o OrCam MyEye, importado de Israel, que converte em áudio, automaticamente, o texto impresso em qualquer superfície, seja papel, metal, madeira ou em tela de computador. O matozinhense Thiago Diniz, conhecido carinhosamente como Popô, já utiliza a tecnologia no setor do Banco do Brasil em que trabalha.
“O banco antes de comprar o equipamento me procurou e pediu para eu testar a tecnologia. Eu testei, dei meu parecer e eles adquiriram. Leio livros de papel, embalagens e vejo cores de camisas”, disse Popô, que é Analista 3 da Diretoria de Tecnologia do Banco do Brasil.
Leve e pequeno, o equipamento é um pouco maior do que um pen-drive. Consiste em um scanner, que é acionado com um gesto simples: apontar o texto na altura dos olhos do usuário. A conversão em áudio é feita sem a necessidade de conexão à internet e é transmitida para o usuário por um minúsculo alto-falante do aparelho ou por meio de fone de ouvido.
O equipamento é portátil e facilmente instalado em qualquer armação de óculos com o uso de uma fita magnética.
Mais de 500 mil no Brasil
No País, há 582 mil cegos e 6 milhões de pessoas com baixa visão, aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “O OrCam MyEye proporciona, como ferrramenta de visão artificial, o acesso à informação onde a pessoa estiver”, afirma o empresário.
Além de escolas municipais, na cidade de São Paulo, foram disponibilizados 54 óculos na rede de bibliotecas, um no Centro Cultural São Paulo e dois na Biblioteca Mário de Andrade. Escolas estaduais, municipais e universidades privadas ou públicas nos Estados de Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Amazonas também utilizam os óculos “inteligentes”.
Além do português, o aparelho comercializado no País também é configurado para converter em áudio os textos em inglês e espanhol, mas sem realizar a tradução. Ao ser acionado pelo usuário, o equipamento também pode fazer o reconhecimento facial, de cores, cédulas de real, dólar e euro, e produtos que podem estar pré-cadastrados na memória ou serem incluídos a partir de fotografias feitas.
















