A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu as investigações sobre a morte de um idoso de 69 anos, ocorrida em 23 de agosto deste ano, após a administração incorreta de um medicamento utilizado no tratamento de câncer. O enfermeiro que aplicou a medicação e a médica responsável pelo acompanhamento do paciente foram indiciados por homicídio com dolo eventual.
A vítima, que estava em tratamento contra o câncer desde março deste ano em um hospital na região Oeste de Belo Horizonte, foi submetida a uma dose do medicamento quatro vezes superior à prescrita. No dia 19 de agosto, o enfermeiro administrou 8,78 mg do remédio, enquanto a prescrição médica indicava apenas 2,29 mg.
Segundo as investigações, o erro ocorreu porque o profissional desconsiderou as identificações individuais das seringas, que eram destinadas a outros pacientes. A superdosagem provocou complicações graves, levando a atendimentos de emergência e, posteriormente, à internação da vítima, que necessitou de ventilação mecânica. Quatro dias depois, o paciente não resistiu e morreu.
Omissões na Assistência
A Polícia Civil também apurou que, após perceber o erro, o enfermeiro comunicou a enfermeira-chefe, mas não registrou o incidente no prontuário médico, impedindo que os médicos plantonistas tomassem medidas para conter o agravamento do quadro clínico.
Além disso, a médica responsável pelo tratamento foi informada sobre a situação, mas optou por não tomar providências para tentar reverter o estado crítico do paciente. Essa inação foi considerada um fator decisivo para o desfecho.
Conclusão das Investigações
Após ouvir testemunhas, analisar prontuários médicos e laudos periciais, e realizar sindicâncias internas, a 2ª Delegacia de Polícia Civil Sul concluiu que tanto o enfermeiro quanto a médica agiram com dolo eventual. Segundo o entendimento da polícia, ambos assumiram o risco de causar a morte ao não adotarem as medidas necessárias para evitar o óbito, mesmo cientes da gravidade do erro.
Os indiciados responderão pelo crime de homicídio, e o caso segue agora para análise do Ministério Público e da Justiça.
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