O valor da mensalidade de alguns cursos de graduação nas faculdades particulares de Belo Horizonte e região subiu consideravelmente em relação ao último ano. Segundo um levantamento do site de pesquisas Mercado Mineiro, o preço médio de Medicina, por exemplo, aumentou 8,93% ao passar de R$ 10.116,44, em 2023, para R$ 11.020,26, em 2024.
A alta de cerca de 9% para a formação de Medicina é quase o dobro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrado em 2023. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a prévia para dezembro é de 0,40%, com acumulado em 12 meses calculado em 4,72%. Já a inflação oficial de novembro foi de 4,68%.
No estudo, divulgado nesta segunda-feira (8/1), outras formações da área de saúde também registraram aumento de custo. O de Fisioterapia ficou 5,91% mais caro, saindo de R$ 1.517,71 – no último ano – para R$ 1.607,42, neste ano. Já o de Nutrição, subiu de R$ 1.545,99 para R$ 1.629,97, o que representa uma elevação de 5,43%.
Por outro lado, os preços de outros cursos registraram leve queda ou se mantiveram estáveis. O de Administração recuou 4,26%, passando de R$ 1.528,80 para R$ 1.463,60. Enfermagem também caiu 3,22%, ao diminuir de R$ 1.522,67 para R$1.473,61. Já o de Odontologia praticamente se manteve estável, com um ajuste de 0,91%.
Variação de até 760%
A pesquisa ainda mostrou que a variação do valor da mensalidade de alguns cursos para o primeiro semestre de 2024 pode chegar a 760%, como é o caso do de Administração, A formação é a que tem a diferença mais significativa, podendo ser encontrada de R$ 399,00 até R$ 3.432,00. Já a de Engenharia Civil chega a variar até 527,86%, com preços que vão de R$ 499,00 até R$ 3.133,00.
“É importante ressaltar que as diferenças podem ser justificadas pela carga horária, metodologia, grade de aulas, infraestrutura, capacidade do corpo docente. Portanto, o aluno (consumidor) deve se informar muito bem a respeito a qualidade do ensino, aprovação do mercado sobre os profissionais recém-formados, para que se possa fazer jus ao importante investimento,” diz o diretor do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu.
Dentro das expectativas do Sinepe-MG
Conforme o Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino no Estado de Minas Gerais (Sinepe-MG), essa alta das mensalidades já era prevista para este ano. Uma pesquisa junto aos associados da entidade, no fim do ano passado, mostrou que 77% deles indicavam um reajuste em torno de 9%.
“O ensino superior vem apresentando uma transformação muito dinâmica no que diz respeito às demandas alimentadas para as formações oferecidas pelas graduações em geral. Mesmo entre os cursos mais tradicionais, a necessidade de investimentos envolvendo laboratórios e infraestrutura cresceu consideravelmente. E isto, claro, impacta diretamente nos custos das mensalidades”, destaca o superintendente e porta-voz do Sinepe-MG, Paulo Leite.
De acordo com Paulo, nas instituições que apresentaram maior estabilidade nos valores das mensalidades, o que se observa é um incremento da concorrência. “Em suma, tudo se alinha com a tradicional dinâmica da oferta e da demanda que orienta estabilidade de preços quando a procura diminui e/ou se mantém, e um incremento de preços quando o número de interessados aumenta, o que, por conseguinte, alimenta a necessidade de maiores investimentos em toda a estrutura de atendimento que envolve a prestação de serviços educacionais.”
Aida segundo o sindicato, as instituições fazem a gestão de suas despesas em uma escala que considera um número maior de estudantes. “Por outro lado, nem sempre as expectativas de matrículas se cumprem como o projetado, e isto precisa ser considerado para que se mantenha um ponto de equilíbrio financeiro sustentável e assegure um planejamento alinhado à oferta de uma ótima qualidade de ensino,” ressalta o superintendente.
A pesquisa
Foram consultadas, entre os dias 2 e 5 de janeiro deste ano, 21 instituições de ensino superior de Belo Horizonte e da região metropolitana. O levantamento completo pode ser acessado no site Mercado Mineiro.
Fonte: O Tempo.

















