Meta e Google enfrentam processo nos EUA sobre vício em redes sociais entre jovens

Por Dentro De Tudo:

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Meta e Google enfrentarão um julgamento no Tribunal Superior da Califórnia, nos Estados Unidos, sob a alegação de que suas plataformas alimentam uma crise de saúde mental entre os jovens. O julgamento, que começa nesta semana, representa um teste para milhares de outras ações buscando indenizações por danos causados pelas redes sociais, em uma ofensiva legal que pode enfraquecer a longa defesa jurídica das grandes empresas de tecnologia.

O processo envolve uma jovem de 19 anos da Califórnia, identificada como K.G.M., que afirma ter se tornado viciada nas plataformas das empresas quando era menor de idade, devido ao design chamativo das redes. Ela alega que os aplicativos alimentaram sua depressão e pensamentos suicidas. Agora, está buscando a responsabilização das empresas. Seu processo é o primeiro de vários casos que devem ir a julgamento neste ano, focados no que os autores chamam de “vício em mídia social” entre as crianças.

Será a primeira vez que os gigantes da tecnologia terão que se defender em um julgamento sobre supostos danos causados por seus produtos, disse o advogado da autora da ação, Matthew Bergman. “Elas estarão sob um nível de escrutínio que não existe quando você depõe perante o Congresso”, disse ele à Reuters. Segundo Bergman, o assunto provavelmente chegará à Suprema Corte dos EUA, seja pelo caso de K.G.M. ou por outro processo.

O júri decidirá se as empresas foram negligentes ao fornecer produtos que prejudicaram a saúde mental de K.G.M. e se o uso dos aplicativos foi substancial para sua depressão, em comparação com fatores como o conteúdo de terceiros que ela visualizou nos apps ou aspectos de sua vida off-line. Um elemento importante no processo é uma lei federal que isenta amplamente plataformas como o Instagram e o TikTok de responsabilidade legal pelo conteúdo postado por seus usuários. As empresas de tecnologia argumentam que essa lei as protege no caso de K.G.M. “Este é realmente um caso de teste. Vamos ver o que acontece com essas teorias”, disse Clay Calvert, advogado de mídia do American Enterprise Institute, em referência à argumentação de que as plataformas podem prejudicar a saúde mental de usuários.

Plataformas se isentam de responsabilidade. Uma decisão contra as redes sociais abriria uma brecha nessa defesa, que as tem protegido de processos há décadas, e mostraria que os jurados estão dispostos a responsabilizar as plataformas. Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta, deve ocupar o banco das testemunhas. A empresa argumentará no tribunal que seus produtos não causaram os problemas de saúde mental de K.G.M., disseram os advogados da Meta à Reuters antes do julgamento. No caso do Google, o processo envolve o YouTube. A empresa diz que a plataforma de vídeos é fundamentalmente diferente de redes sociais como o Instagram e o TikTok e não deve ser classificada dessa maneira, segundo afirmou um executivo do YouTube antes do julgamento.

TikTok e Snapchat fecharam acordo. Outras duas plataformas que faziam parte do processo, TikTok e Snapchat, fecharam acordo extrajudicial e ficaram fora da ação. A ByteDance, controladora do TikTok, chegou a um acordo extrajudicial na segunda-feira (26), informou a equipe jurídica da autora da ação. “As partes estão satisfeitas por terem chegado a uma resolução amigável desta disputa”, disse o Social Media Victims Law Center, observando que os termos do acordo são confidenciais. O Snapchat fechou acordo em 20 de janeiro para resolver a ação judicial. Questionada, a empresa não comentou os detalhes do acordo.

Crédito da foto: AP/Reuters
Fonte: G1

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