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sexta-feira, 14 de junho de 2024

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Minas Gerais possui apenas 64 prefeitas e 22% dos municípios não possuem nenhuma vereadora

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Na sexta-feira (24), a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) promoveu uma audiência pública para discutir a escassez de representatividade feminina na política do estado. O evento foi motivado por um estudo realizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher (Nepem) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que revelou dados preocupantes sobre a presença das mulheres na administração pública dos municípios mineiros.

Dados do Estudo

Segundo o levantamento do Nepem, dos 853 municípios de Minas Gerais, apenas 64 são governados por prefeitas, e dessas, apenas uma se autodeclara preta. Além disso, cerca de 22% das Câmaras Municipais do estado não têm nenhuma vereadora, somando 188 municípios sem representação feminina no legislativo. Outros 333 municípios, cerca de 39%, contam com apenas uma vereadora.

Prefeitas em Minas Gerais

Das 64 cidades administradas por mulheres, quatro estão localizadas na região metropolitana de Belo Horizonte: Matozinhos, Pedro Leopoldo, Vespasiano e Contagem. A única cidade com uma prefeita autodeclarada preta é São Gotardo, no Alto Paranaíba, sob a gestão de Denise Oliveira (PV).

Destaques da Audiência

A audiência foi requerida pela deputada estadual Ana Paula Siqueira, que também é pré-candidata à Prefeitura de Belo Horizonte e a única mulher negra na disputa. Durante o evento, a deputada destacou os desafios enfrentados pelas mulheres na política, enfatizando a violência política de gênero que busca silenciar e dificultar o acesso das mulheres aos recursos de campanha, além de gerar insegurança durante a participação eleitoral e o exercício dos mandatos.

“Dentre os inúmeros desafios que foram apresentados, eu queria destacar o desafio da violência política de gênero, que tenta nos silenciar, que dificulta o acesso, muitas vezes, aos recursos de campanha, gera insegurança durante a participação efetiva eleitoral, durante o exercício dos mandatos. Queria também destacar que representatividade importa, sim, e a representatividade nos espaços políticos é fundamental para construir políticas públicas mais efetivas em uma sociedade mais justa”, afirmou Ana Paula Siqueira.

Representatividade em Belo Horizonte

A capital mineira, Belo Horizonte, em seus 126 anos de história, nunca teve uma mulher no comando da prefeitura, o que ressalta ainda mais a necessidade de debater e promover a inclusão feminina na política local.

Cenário Nacional

A situação em Minas Gerais reflete um problema nacional. De acordo com o relatório “Desigualdade de Gênero e Raça na Política Brasileira” da Oxfam Brasil e do Instituto Alziras, cerca de 18% das cidades brasileiras (978) não possuem nenhuma mulher na Câmara Municipal, e 57% dos municípios não têm vereadoras autodeclaradas pretas. No âmbito executivo, as mulheres governam apenas 12% das prefeituras no Brasil.

Conclusão

A audiência pública na ALMG destacou a urgência de aumentar a representatividade feminina na política mineira e brasileira, ressaltando a importância de criar políticas públicas inclusivas e de combater a violência política de gênero. A participação ativa de mulheres nos espaços de poder é crucial para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Fonte: O Tempo. Foto: Elizabete Guimarães | Assembleia Legislativa

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