O drama das famílias que convivem com o desaparecimento de um ente querido se repete todos os dias em Minas Gerais. Só em 2025, já são quase 5,6 mil registros sem explicação, segundo a Polícia Civil. Nos últimos cinco anos, o número impressiona: mais de 40 mil pessoas sumiram no estado.
Por trás das estatísticas estão histórias de dor e incerteza. Maria Terezinha, de 72 anos, mãe de Luis Carlos Fagundes, de 35, que desapareceu há quatro anos no Barreiro, em Belo Horizonte, relata a angústia que a acompanha:
“Não durmo. Tudo me lembra dele. Parece que foi ontem. Fico pensando: pra onde ele foi? O que está acontecendo com ele? Eu não quero morrer sem saber dele.”
Especialistas chamam essa experiência de “luto eterno”. O psicanalista Celso Renato, professor da PUC Minas, explica que muitas famílias permanecem presas ao sofrimento:
“Algumas pessoas vivem o que chamamos de luto infinito, porque a ausência de respostas mantém a dor sempre atual. A qualidade de vida fica completamente comprometida.”
A Polícia Civil afirma que tenta dar respostas, mesmo diante das dificuldades. O delegado Alexandre da Fonseca, da Divisão Especializada de Referência à Pessoa Desaparecida, reforça que cada informação trazida pelos familiares é valorizada:
“As famílias têm razão ao dizer que é um luto eterno. Nosso trabalho é se esmerar para dar respostas. Se encontramos a pessoa viva, não desistimos da diligência. E, quando descobrimos crimes relacionados, encaminhamos ao setor competente.”
Quem tiver informações sobre desaparecidos pode registrar pela Delegacia Virtual, pelo aplicativo MG App, ou ligar para o 0800 2828 197. O sigilo é garantido.
📸 Foto: Paulo Pinto / Agência Brasil
📰 Fonte: Rádio Itatiaia