A intensificação do conflito no Oriente Médio, após ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel contra alvos iranianos, colocou o comércio exterior brasileiro em estado de atenção. Apesar do cenário de incerteza e da alta volatilidade nos preços do petróleo, o governo federal avalia que o Brasil tende a consolidar sua posição como fornecedor essencial de alimentos para a região.
Em entrevista à CNN, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária afirmou que, mesmo com custos transacionais mais elevados, o país seguirá desempenhando papel estratégico no abastecimento alimentar. Segundo ele, em momentos de crise geopolítica, a relevância do Brasil como exportador de grãos e proteínas tende a se ampliar.
Entre os principais pontos de preocupação está o possível encarecimento da ureia, fertilizante nitrogenado amplamente utilizado nas lavouras brasileiras. Como o Irã é um produtor relevante desse insumo, qualquer instabilidade na oferta global pode pressionar os custos de produção, especialmente nas safras de milho e trigo. O setor avalia que não deve haver falta do produto, mas os preços podem subir acompanhando a energia.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que o Oriente Médio tem peso significativo na balança comercial do agronegócio brasileiro. Milho, açúcares e carnes de aves estão entre os principais itens exportados para a região. O Irã, por sua vez, ocupa posição estratégica entre os parceiros comerciais, com forte participação do milho nas vendas brasileiras.
No curto prazo, o impacto sobre as exportações de grãos é limitado pelo calendário das safras. No entanto, caso o conflito se prolongue, o Brasil poderá precisar ajustar rotas logísticas e estratégias comerciais para preservar mercados e mitigar custos adicionais no comércio exterior.
Crédito da foto: ATTA KENARE/AFP
Fonte: Itatiaia















