Moradores fazem manifestação após casos de violência contra animais em MG

Por Dentro De Tudo:

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Moradores e protetores de animais vão realizar uma manifestação no próximo domingo (8), às 15h, em frente à Casa da Cultura de São Sebastião do Paraíso, em Minas Gerais, para cobrar justiça após dois casos de violência contra animais registrados em menos de três dias na cidade. O ato foi organizado após o desaparecimento do cachorro comunitário Doidão e o ataque a uma cachorrinha de seis meses, encontrada com um ferimento grave no tórax. A divulgação foi feita com base em informações repassadas por cuidadores de Doidão de que o animal poderia estar morto, porém a Polícia Civil não confirmou a morte e informou que o caso continua sob investigação.

Doidão vivia há mais de dez anos no bairro Brás, onde era cuidado de forma comunitária por moradores e voluntários. O animal desapareceu após ser visto entrando na casa de uma moradora, conforme imagens que circulam entre os cuidadores. A Polícia Civil afirmou não haver registros de que o cão tenha saído do imóvel. Andrea Alves Damaceno, servidora pública que integra a rede de cuidadores do cachorro há cinco anos, acompanhou as buscas desde o início. “Quando a gente descobriu o desaparecimento, foi um choque para todo mundo. Ele era parte da rotina do bairro, um cachorro dócil, conhecido por todos”, contou.

Além do vínculo com a comunidade, Doidão estava em tratamento contra um câncer no abdômen. Segundo o veterinário Nilson Labanca, o animal havia passado por uma cirurgia recentemente e ainda precisava de cuidados especiais. A Polícia Civil abriu um inquérito e já ouviu seis pessoas. De acordo com o delegado Rafael Gomes, responsável pelas investigações, há indícios de que o cachorro tenha sido abandonado na zona rural do município vizinho de São Tomás de Aquino, o que configuraria crime de maus-tratos qualificado. O delegado afirmou ainda ter acesso a um vídeo recente em que Doidão aparece em uma estrada de terra, visivelmente debilitado; buscas foram realizadas no local, mas o animal não foi encontrado. Informações sobre a possível morte do animal chegaram à polícia, mas ainda não foram confirmadas oficialmente.

A manifestação ganhou força após outro caso de violência contra animais na cidade. Na quarta-feira, uma cachorrinha de apenas seis meses, chamada Cristal, foi encontrada com um corte profundo no tórax, com a suspeita de ter sido provocado por uma faca. A veterinária Danielle Ávila informou que o animal chegou em estado grave, com sangramento intenso e presença de bicheira, e que foram realizados exames para avaliar a necessidade de transfusão de sangue, já que aparentava ter perdido bastante sangue.

Para os organizadores, os episódios refletem um problema recorrente. “Infelizmente, os casos de maus-tratos acontecem todos os dias. Chega um momento em que a sociedade precisa se manifestar”, afirmou a vereadora Daiane Andrade. A participação na mobilização também é vista como forma de pressionar as autoridades a responsabilizar os envolvidos. Letícia Pimenta de Almeida, servidora pública, disse: “Nada menos do que justiça. A gente espera uma investigação séria e que os culpados sejam punidos conforme a lei”.

Dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais apontam que, de janeiro a outubro de 2025, o estado registrou 5.540 casos de maus-tratos a animais, um aumento de 47,65% em relação ao mesmo período de 2024. A manifestação está marcada para domingo, às 15h, em frente à Casa da Cultura de São Sebastião do Paraíso. A Polícia Civil informou que as investigações continuam e que novas informações serão divulgadas assim que confirmadas.

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Crédito da foto: EPTV
Fonte: g1 Sul de Minas

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