Uma mudança recente nas normas para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) provocou queda expressiva nos preços cobrados por autoescolas em todo o Brasil, com pacotes sendo anunciados por valores próximos de R$ 300. A alteração foi estabelecida por resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e flexibiliza etapas que antes eram obrigatórias no processo de formação de condutores.
A principal mudança é a desobrigação da frequência em autoescolas. Com a nova regra, o curso teórico pode ser realizado de forma online e as aulas práticas passaram de um mínimo de 20 horas para apenas duas horas obrigatórias, desde que o candidato seja aprovado nos exames exigidos.
Segundo o Ministério dos Transportes, antes da resolução, o custo para tirar a primeira habilitação variava entre R$ 3 mil e R$ 5 mil. Com o novo modelo, a estimativa oficial é de redução de até 70% no valor final. Na prática, levantamento realizado em dez cidades brasileiras encontrou pacotes a partir de R$ 380 para as categorias A ou B.
O menor valor foi identificado em Santos, no litoral paulista, e inclui duas aulas práticas com veículo da autoescola. Ainda assim, permanecem custos obrigatórios definidos pelos Detrans estaduais, como exames médico, psicotécnico, teórico e prático, além da taxa de emissão da CNH física.
Em São Paulo, por exemplo, essas taxas somam pouco mais de R$ 420, sem considerar as aulas práticas. Mesmo assim, o custo total segue significativamente inferior ao praticado antes da mudança.
Além das autoescolas, instrutores autônomos credenciados passaram a oferecer pacotes ainda mais baratos. Foram encontrados valores a partir de R$ 379,90, já incluindo a taxa do exame prático em alguns estados. Em outros casos, o preço por hora de aula varia entre R$ 80 e R$ 250, dependendo da região.
Impacto no setor
A redução de preços, no entanto, tem causado forte impacto econômico no setor. De acordo com a Federação Nacional das Autoescolas (Feneauto), o segmento empregava cerca de 300 mil trabalhadores formais antes da mudança. Desde a entrada em vigor da nova regra, o setor estima que 3 mil autoescolas fecharam e aproximadamente 60 mil funcionários foram demitidos.
Para representantes das autoescolas, a concorrência com instrutores autônomos e a diminuição da carga mínima de aulas comprometeram a sustentabilidade financeira do negócio. Segundo entidades do setor, muitas empresas têm apostado em promoções, tradição da marca e pacotes personalizados para tentar manter alunos.
Especialistas apontam que, apesar da redução de custos para os candidatos, o novo modelo ainda gera debate sobre qualidade da formação, impacto social e segurança no trânsito, temas que devem continuar em discussão nos próximos meses.
Crédito da matéria: André Fogaça — g1
Crédito da imagem: Divulgação / Detran-AM















