sábado, 24 de fevereiro de 2024

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O poder do treino nas atividades competitivas

Por Dentro De Tudo:

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Deixe a emoção de torcedor de lado e observe atentamente a movimentação da partida. Fique atento aos caminhos que levam ao gol, à cesta, ao saque perfeito. Para exemplificar, vamos nos limitar ao futebol. Assistimos à partida que está zero a zero aos 44 minutos do segundo tempo. Numa invertida da jogada, o jogador que estava à direita do campo e muito bem marcado alcança seu companheiro lá na esquerda, que avança quase sem marcação em direção à meta e faz o gol.

A jogada, completada em nada além de 30 segundos, não aconteceu ao acaso. Dependeu de dois tipos de treinamento – o físico e o que trabalha as habilidades cognitivas. Correr, desviar e avançar depende do físico. Escolher para qual companheiro a bola deve ser repassada exige raciocínio rápido e muito treinamento das chamadas habilidades cognitivas. Elas incluem levar a perceber a bola e prever o trajeto dela; a pensar para quem passar; e, finalmente, passar. Tudo em uma fração de segundos.

O treinamento das habilidades cognitivas abrange, basicamente, concentração mental; percepção; visão periférica; atenção seletiva; memória; antecipação e reação. O interessante é que pessoas em geral vivenciam situações nas quais treinam habilidades cognitivas, ainda que não percebam. Essas situações podem ocorrer nos ambientes corporativos, familiares e outros, até mesmo durante entretenimentos.

Uma das mais celebradas formas de entretenimento online, o poker é um jogo no qual ficam patentes as vantagens de treinos sistemáticos. Ler a mesa, construir estratégias e até mesmo saber a hora de blefar são capacidades que podem ser desenvolvidas. Grandes plataformas oferecem ferramentas para fazer replay de diversas mãos, desde próprias até de terceiros e, assim, ver como o jogo se desenvolveu e como poderia ter se desenvolvido.

O “do-over” no poker é especialmente atrativo porque, nesse jogo, a posição que se ocupa na mesa, a cada rodada, tem grande influência. Os primeiros a jogar tem uma desvantagem em relação aos últimos, e por isso a cada nova mão há um novo dealer. Com o replay, um estudioso pode testar como jogaria em cada posição e, ao final, descobrir estratégias interessantes para cada cadeira que ocupar.

Igualmente, o replay do jogo é o grande aliado dos treinadores esportivos. Ao exibir e comentar a partida, o comandante levanta os aspectos do que foi e de como poderia ter sido, mesmo que o time tenha saído vencedor. No replay, muito mais do que no transcorrer da partida, um bom técnico identifica quais as habilidades cognitivas que devem ser mais trabalhadas por este ou aquele jogador.

Para jogadores, o treinamento das habilidades cognitivas é feito a partir do exercício de “formato integrado” – conjunto dos aspectos técnicos, físicos e de componentes táticos cognitivos. Usualmente, os exercícios utilizam jogos, os eletrônicos e os analógicos, para reproduzir situações reais de partidas, com diferentes desafios. Ao treinador cabe instruir os atletas a resolver a questão a enfrentar, da melhor maneira possível.

Ao levar em conta o fato de as partidas desenrolarem em ritmo dinâmico, como se fosse um jogo de xadrez turbinado, há quem garanta que treinar capacidades cognitivas têm importância maior do que treinar o físico. Pode ser exagero. No mínimo, deveriam igualar em importância. Trabalhar os músculos para suportar o peso dos jogos, a velocidade, os desvios dos marcadores, a cobrança de escanteios é e sempre será fundamental para chegar ao gol.

O treinamento físico obrigatório dos jogadores inclui exercícios de agachamento, cadeira extensora, natação, o stiff (exercício simples, praticado em pé com halteres, barra ou o peso do próprio corpo). Trabalho tido como um dos mais importantes é exercitar o core, formado pelos músculos da região lombar. Além de proteger a coluna vertebral, os músculos do core têm papel fundamental no movimento dos braços e pernas. Exercitá-los faz com que o tronco fique mais firme e funcione como um ponto de apoio para o movimento dos membros. Enfim, a verdade é que os bons jogadores têm altos salários, mas conquistá-los e mantê-los exige muita dedicação.

Enquanto o treinamento físico dá condições ao jogador para aguentar 90 intensos minutos no campo, o cognitivo tem por objetivo levar ele a compreender as possibilidades de utilizar as competências que possui, em múltiplos contextos. E é bem-vinda a troca de experiências com os clubes mais avançados em termos de métodos de treinamento, pelo bem geral do país. Afinal, as seleções que o Brasil enfrentará durante a Copa do Mundo de 2026 serão formadas por atletas feras com a bola no pé e o trabalho cognitivo na cabeça.

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