Os ganhos das aulas virtuais que devem ser mantidos após a pandemia

 Os ganhos das aulas virtuais que devem ser mantidos após a pandemia
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No início, foi uma correria. Tão logo perceberam que a pandemia da Covid-19 duraria mais que os 15 dias esperados inicialmente, as escolas precisaram improvisar para que os alunos não ficassem sem aula. Treinamento de professores para usar as ferramentas on-line, desafios para adaptar o conteúdo ao ambiente digital e o mais difícil: garantir que os estudantes aprendessem mesmo a quilômetros de distância e com o inédito intermédio de uma tela. Agora, mais de 2 anos após o início da pandemia, com uma bagagem de um ano 100% on-line e o recém-iniciado ensino híbrido, a realidade é bem diferente. Algumas ferramentas desenvolvidas para o novo modelo de educação se mostraram tão eficazes que devem ser mantidas mesmo após o fim da crise sanitária. “Foram muitos os ensinamentos. Aprendemos que temos recursos que potencializam o aprendizado e que permitem a interação entre as pessoas mesmo no remoto”, afirma Aleluia Heringer, diretora de relações institucionais do Colégio Santo Agostinho.

Segundo Aleluia, os recursos tecnológicos facilitaram os registros e organização da vida dos estudantes, dos professores e da gestão pedagógica. “Foi possível colocar em um só local documentos, exercícios e aulas”, diz. Embora acredite que a presença física na educação básica seja insubstituível, os aprendizados que a tecnologia trouxe durante o distanciamento social serão mantidos pela escola. “Eles estão, principalmente, concentrados naquilo que a inteligência artificial pode fazer por nós”, relata, enfatizando a possibilidade de organização de arquivos, formas de visualização de dados, possibilidade de acesso à rede com todas suas informações, imagens e sons. “A equipe pedagógica irá se livrar daquele trabalho burocrático, manual e repetitivo, podendo dedicar mais tempo a análises e proposições de estratégias com base nos dados.”

No grupo Bernoulli, o ensino remoto também deixou lições que devem mudar para sempre o modelo de educação para o ensino médio. “Para o ensino médio, que é a parte que a legislação permite, manteremos algumas aulas à distância mesmo depois da pandemia, porque entendemos que isso diminui o tempo de deslocamento e permite que o aluno não seja obrigado a ficar na escola até mais tarde”, diz o copresidente Rommel Domingos. Assim, sobra mais tempo e energia para se dedicar aos estudos e à preparação para o Enem. “Mas ressalto que o ensino à distância será uma pequena parte da carga horário do aluno.” A monitoria on-line vai permanecer, pois facilitou o acesso dos estudantes aos professores para tirar dúvidas e esclarecer conteúdos.Diretora pedagógica do Coleguium Rede de Ensino, Alessandra Dias conta que a pandemia e o ensino remoto trouxeram a urgência na transformação da Educação Básica e a escola se viu protagonista da mudança nas relações escola-família, escola-corpo docente, alunos-professores e alunos-alunos.

“Ressaltamos a metodologia de ensino que coloca o aluno como centro do processo de ensino e aprendizagem”, diz. A rede implementou o Ecossistema de Aprendizagem Inovador para os anos finais do Ensino Fundamental e o Ensino Médio. “Nela, os alunos têm aulas de disciplinas que extrapolam o conteúdo curricular comum, como educação financeira, negociação, investigação criminal e fotografia.” A ferramenta deu ainda mais protagonismo ao aluno, já que ele faz sua escolha do que cursar. Também foram criadas matérias eletivas de aprofundamento, uma plataforma digital para correção on-line de redações e avaliações, além de uma base para discussão de temáticas de impacto ambiental e social.

Para o especialista Sandro Caldeira, professor, escritor e estudioso em Neurociência da Educação, o distanciamento imposto pela pandemia obrigou as escolas a se adaptarem de vez ao mundo tecnológico e as mudanças possibilitaram inserir a educação em um cenário mais próximo da realidade dos jovens modernos. “Os alunos atuais são nativos digitais, já nasceram no ambiente on-line e agora a educação também vai fazer parte desse contexto, mesmo com o retorno das aulas presenciais”, diz. “Se ele pode fazer algo remoto, deixa de se locomover para ir à escola, reduz gasto com transporte e alimentação na rua e tem mais qualidade de tempo para estudar.” Para otimizar o aprendizado sem a estrutura física da sala de aula, Sandro acredita que é preciso criatividade dos professores. “Um dos métodos que eu uso, com base na neurociência da educação, são as paródias.” Como professor, o especialista grava músicas conhecidas e transforma a letra de acordo com o contexto de cada aula. “Quando eu jogo isso para um ambiente remoto, desperta muito interesse e o aluno acaba fixando o conteúdo sem perceber que está estudando.” Outras ferramentas sugeridas são charges, podcasts e games adaptados ao conteúdo, que conseguem transmitir a matéria de forma divertida e em um universo familiar aos adolescentes.

Para ajudar com essas estratégias, o doutor em educação Paulo Tomazinho oferece conteúdos que auxiliam professores no uso das ferramentas educacionais on-line. “Nossa intenção é desenvolver a consciência pedagógica, a fluência didática e a intencionalidade da aprendizagem”, afirma. Um dos projetos, a plataforma Moonshot Educação, oferece capacitação gratuita para ajudar os professores a entenderem seu novo papel e também capacitá-los no uso de estratégias, metodologias e ferramentas educacionais. Iniciado em maio do ano passado, o curso Expert em Ensino Remoto já impactou mais de 250 mil professores de todo o Brasil e está disponível no Youtube da Moonshot.

Benefícios das aulas virtuais

  • Recursos tecnológicos facilitaram registros e organização da vida de estudantes, de professores e da gestão pedagógica

  • Possibilidade de diminuir o deslocamento dos estudantes, assim como o tempo nas escolas

  • Monitoria on-line

  • Disponibilidade de aulas de disciplinas que extrapolam o conteúdo curricular comum

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