A Polícia Federal (PF) revelou a complexa cronologia do plano elaborado por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) para sequestrar o ex-juiz da Lava Jato e atual senador Sergio Moro. A operação Sequaz, deflagrada em março de 2023, desarticulou o grupo responsável pela tentativa, culminando na condenação de oito integrantes da facção criminosa pela Justiça Federal no Paraná, no dia 22 de janeiro de 2025.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), o plano começou a ser executado em meados de 2022, como retaliação às ações de Moro enquanto ministro da Justiça, durante o governo de Jair Bolsonaro. Entre essas medidas estavam a transferência de lideranças do PCC para presídios federais e a proibição de visitas íntimas nesses locais.
Início do planejamento
As investigações apontam que o plano foi liderado por Janeferson Gomes Mariano, conhecido como “Nefo”. Em janeiro de 2022, Aline, uma das integrantes do grupo, alugou um apartamento em São Paulo, marcando o início das movimentações logísticas. Em maio, Nefo teria solicitado a Aline a coleta de informações detalhadas sobre Moro e sua rotina.
A operação utilizava códigos para evitar interceptações: Moro era chamado de “Tóquio”; o sequestro, de “Flamengo”; e a ação como um todo, de “Fluminense”. O grupo adquiriu um veículo de luxo, um Mercedes Benz ML 500, apelidado de “cofre”, que seria usado na execução do crime.
Estratégia em Curitiba
Em junho de 2022, Aline viajou para Curitiba, cidade onde Moro reside, e começou a levantar informações sobre sua rotina e segurança. A equipe alugou imóveis na cidade, incluindo uma chácara próxima a rodovias, que seria utilizada como cativeiro. Documentos apreendidos pela PF revelam que, àquela altura, o grupo já havia previsto um orçamento de R$ 564 mil para o sequestro, que incluía armas, viagens, aluguéis e remuneração de motoristas.
Tentativas frustradas
A primeira tentativa de sequestro estava planejada para ocorrer entre os dois turnos das eleições de 2022, mas foi abandonada por motivos ainda desconhecidos. Após o fracasso, os criminosos continuaram monitorando Moro e seus familiares, expandindo as investigações para Brasília, onde coletaram dados sobre endereços ligados ao Congresso Nacional e ministérios.
Em outubro de 2022, Aline salvou imagens de Moro, de sua esposa e de locais frequentados por eles, incluindo o prédio onde residem e o escritório da esposa. Um relatório detalhado, intitulado “Sérgio Fernando Moro”, foi enviado a outros integrantes do grupo.
Desfecho da operação
Mesmo com as tentativas frustradas, a organização criminosa persistiu em suas ações até fevereiro de 2023. Durante esse período, os integrantes continuaram investindo em logística, levantando informações e alugando imóveis na região metropolitana de Curitiba.
Em março de 2023, a PF deflagrou a operação Sequaz, prendendo os envolvidos e frustrando definitivamente o plano. Para os investigadores, o caso revelou a capacidade do PCC de organizar ações de alta complexidade, com divisão clara de funções e investimentos significativos.
Condenações
A Justiça Federal no Paraná condenou, em janeiro de 2025, oito integrantes do grupo envolvidos na tentativa de sequestro. Entre eles, Aline e outros membros identificados pela PF como peças-chave no esquema.
A investigação destacou o nível de planejamento da facção, incluindo a utilização de recursos tecnológicos, imóveis alugados estrategicamente e monitoramento de alvos por longos períodos.
O caso reforça a importância de medidas de segurança pública no combate às organizações criminosas e expõe os riscos enfrentados por autoridades que desempenham funções de alto impacto na luta contra o crime organizado.















