Receber um Pix inesperado pode ser apenas o caso de um envio por engano, como aconteceu com um estudante de Goiás que recebeu R$ 200 mil de um empresário e devolveu todo o valor. Mas situações como essa também são exploradas por criminosos, que se aproveitam da pressa e da boa-fé das vítimas para aplicar golpes e causar prejuízos. Um exemplo foi o caso do professor Luiz Cezar Lustosa Garbini, do Paraná. Ele devolveu um Pix de R$ 700 que havia caído por engano na sua conta, mas o banco também retirou mais R$ 700 para estornar o dinheiro supostamente enviado por engano. No fim das contas, a pessoa recebeu R$ 1.400. O que aconteceu é que o autor do Pix entrou em contato e solicitou um MED Pix – mecanismo especial de devolução em caso de fraude, criado pelo Banco Central, mas que tem sido usado para aplicar golpes.
O Pix é um meio de pagamento rápido e seguro, mas justamente por ser instantâneo acabou se tornando alvo de golpes cada vez mais sofisticados. Por isso, antes de devolver qualquer valor, é fundamental identificar se o Pix recebido foi um engano legítimo ou se faz parte de uma fraude. Nos casos reais de erro, o envio costuma acontecer por confusão de chave ou digitação equivocada. O remetente normalmente aceita resolver a situação pelos canais oficiais do banco e não pressiona para que a devolução seja feita com urgência fora do aplicativo. Já no golpe do Pix errado, o criminoso envia um valor e entra em contato pedindo a devolução com urgência. Em geral, tenta convencer a vítima a devolver o dinheiro por fora dos mecanismos próprios para devolução segura, como a função “Devolver Pix” e o Mecanismo Especial de Devolução (MED).
Fique atento a esses sinais: pressa excessiva para devolver o dinheiro; pedido para fazer a devolução para outra conta, diferente da que enviou o Pix; orientação para resolver tudo por WhatsApp ou ligação, fora do aplicativo do banco; envio de prints ou comprovantes como única prova; e ameaças ou apelos emocionais para acelerar a decisão.
O jeito correto e seguro de devolver um Pix recebido por engano é usando a função “Devolver Pix”, disponível no aplicativo do banco. Esse recurso permite que o valor retorne diretamente para a conta de origem, mantendo o vínculo com a transação original e garantindo registro no sistema do Banco Central. Na prática, basta acessar o extrato ou histórico de Pix, selecionar a transação recebida e escolher a opção “Devolver”. É possível devolver o valor total ou parcial, e a operação acontece dentro do próprio app, sem risco de golpe. Quando há suspeita de fraude ou quando a devolução simples não é possível, entra em cena o Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central. O MED funciona como um protocolo para apurar golpes, erros ou transações suspeitas. A pessoa que fez o pix por engano deve entrar em contato com o banco, informar o ocorrido e solicitar a abertura do mecanismo. A instituição avalia o caso e tenta bloquear os valores para eventual devolução. Quanto mais rápido o acionamento, maiores as chances de recuperação.
Ficar com o dinheiro recebido por engano pode trazer consequências legais. O caso pode ser enquadrado como apropriação indébita, já que o valor não pertence a quem recebeu. Por outro lado, devolver o Pix de forma inadequada, fora dos canais oficiais, pode gerar prejuízo financeiro irreversível. A recomendação é agir com boa-fé, mas sempre com cautela, utilizando apenas os mecanismos oferecidos pelos bancos. É importante procurar o banco imediatamente sempre que houver dúvida sobre a origem do Pix ou suspeita de golpe. Em casos de tentativa ou confirmação de fraude, também é importante registrar boletim de ocorrência, o que ajuda nas investigações e pode facilitar a atuação do banco por meio do MED.
Foto: Arquivo pessoal/Leandro Pinheiro
via G1
Fonte: G1


















