Imagens geradas por inteligência artificial (IA), divulgadas pelas polícias Civil e Militar do Espírito Santo, apresentaram diferenças de iluminação, ângulo e distorções em materiais apreendidos, além de alterações em cédulas, munições, armas e entorpecentes. O g1 teve acesso aos arquivos originais fornecidos pela Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) e identificou divergências em relação às fotografias distribuídas aos veículos de imprensa. A secretaria informou que reconhece o erro, abriu apuração interna e determinou que o uso de IA em imagens de apreensões para divulgação seja evitado, para assegurar a fidelidade dos registros apresentados à sociedade.
As imagens originais, disponibilizadas pela Sesp, mostram os materiais em mesas e ambientes específicos de cada ocorrência. Já as versões geradas por IA, divulgadas pelas corporações, alteraram cenários, removendo ou substituindo elementos de fundo e, em alguns casos, modificando objetos e disposição dos itens, com alterações também perceptíveis em notas de dinheiro e detalhes de embalagens.
Em uma das ocorrências, a imagem divulgada pela corporação apresenta o cenário com fundo preto e brasão, removendo o ambiente original. Em outra ação, o fundo é substituído por uma bandeira com o símbolo da unidade, além de alterações na iluminação e na disposição dos objetos. Em outras situações, as mudanças envolvem a composição da cena, com a mesa adotando tonalidades diferentes e itens adicionais não presentes na fotografia autêntica.
A secretaria confirmou o uso de ferramentas de IA nas imagens citadas, afirmando que o encaminhamento para a imprensa foi inadequado e que já orientou as áreas responsáveis para evitar recursos de IA em fotografias de materiais apreendidos, a fim de preservar a fidelidade dos registros. A Sesp também informou que está identificando possíveis outros casos e que as imagens originais permanecem disponíveis para envio.
Consultado sobre o tema, o especialista em política pública destacou que divergências entre imagens originais e as versões manipuladas podem prejudicar a credibilidade das instituições, ainda que a IA possa ter utilidade para aperfeiçoar aspectos visuais, desde que com responsabilidade. A análise ressalta a importância de manter registros confiáveis para transparência e prestação de contas à sociedade.
Antes de concluir, a secretaria reiterou que as imagens originais das apreensões estão preservadas e que não houve alteração do conteúdo fático das ocorrências, apenas alterações estéticas nas imagens produzidas com IA. A apuração interna está em curso para identificar outros casos e evitar que equipamentos de IA sejam usados em materiais divulgados publicamente.
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