A chegada de um filho costuma provocar transformações profundas na vida sexual das mulheres. O pós-parto reúne mudanças hormonais, cansaço físico, sobrecarga emocional e fatores culturais que, combinados, podem reduzir o desejo, alterar a resposta do corpo ao estímulo sexual e impactar a intimidade do casal. Especialistas apontam que essas alterações são comuns e fazem parte de um processo natural de adaptação à maternidade.
Do ponto de vista fisiológico, o organismo feminino passa por um rearranjo importante após o parto. Hormônios ligados à amamentação, como a prolactina, tendem a permanecer elevados, enquanto o estrogênio diminui, o que pode causar ressecamento vaginal, desconforto e queda da libido. Além disso, nos primeiros meses, a mulher costuma permanecer em estado de alerta constante para atender às demandas do bebê, o que dificulta o relaxamento necessário para o prazer sexual.
O cansaço extremo também tem papel central nesse cenário. A privação de sono, a rotina intensa de cuidados e, muitas vezes, a necessidade de conciliar maternidade e trabalho criam um contexto pouco favorável à retomada da vida sexual. Em muitos casos, a mulher relata a sensação de que o corpo está inteiramente voltado ao cuidado do filho, o que interfere na relação consigo mesma e com o parceiro.
Aspectos culturais e históricos agravam esse quadro. A ideia de que a mulher, após a maternidade, deve ocupar exclusivamente o papel de mãe ainda é forte na sociedade. Essa construção social contribui para que o corpo feminino seja visto como menos associado ao desejo, o que pode afetar tanto a percepção da própria mulher quanto a dinâmica do casal.
A falta de diálogo é apontada como um dos principais fatores que dificultam a superação dessas mudanças. Especialistas destacam que, com o nascimento de um bebê, surgem também novas identidades parentais, e ambos os parceiros estão em processo de aprendizado. Conversas abertas sobre expectativas, limites e transformações são consideradas fundamentais para preservar a intimidade e evitar distanciamentos.
A retomada da vida sexual no pós-parto não segue um padrão único nem um prazo definido. Trata-se de um processo gradual, que envolve resgatar a identidade individual, dividir responsabilidades e compreender que desejo e intimidade não são conceitos idênticos. O reconhecimento dessas mudanças, aliado à informação e ao diálogo, é apontado como caminho para que casais atravessem essa fase com menos culpa e mais compreensão.
Fonte da matéria: O TEMPO
Fonte da foto: Olga Yastremska / New Africa / Africa Studio
















