Um novo estudo aponta que muitas pessoas passam uma parte significativa do tempo no celular sem um objetivo claro. Segundo pesquisadores, reconhecer esse comportamento é o primeiro passo para recuperar o controle sobre o uso da tecnologia e evitar impactos negativos no bem-estar.
De acordo com o relatório “Age of Autopilot” (A Era do Piloto Automático), encomendado pela operadora Virgin Media O2, adultos no Reino Unido passam, em média, quatro horas por dia utilizando o celular. Desse total, cerca de 36% do tempo é gasto de forma não intencional, navegando entre aplicativos ou rolando a tela sem um propósito específico.
No Brasil, o cenário também chama atenção. Dados da consultoria DataReportal mostram que os brasileiros passam, em média, 53 horas e 30 minutos por semana conectados à internet por meio de dispositivos digitais.
Para Eleanor Drage, pesquisadora da Universidade de Cambridge, o problema vai além de escolhas individuais. Segundo ela, a própria forma como a tecnologia é projetada favorece comportamentos automáticos e dificulta que as pessoas percebam quanto tempo estão gastando online.
O professor Pete Etchells, da Universidade Bath Spa, destaca que as pessoas costumam ter dificuldade para estimar com precisão o próprio tempo de uso dos dispositivos. Mesmo assim, ele afirma que perceber quando o celular está sendo usado sem necessidade já representa um avanço importante.
A pesquisa também revelou que pessoas que passam mais tempo navegando sem objetivo definido tendem a relatar mais experiências negativas, como sensação de mal-estar após o uso ou exposição a conteúdos desagradáveis.
Especialistas alertam, porém, que nem todo tempo de tela é prejudicial. Em muitos casos, o uso do celular pode proporcionar lazer, entretenimento, informação, conexão social e momentos de relaxamento. O importante é avaliar se o hábito está contribuindo para o bem-estar ou gerando impactos negativos na rotina.
Entre as recomendações para reduzir o uso excessivo estão a desativação de notificações não essenciais, a definição de limites para aplicativos e a busca por atividades fora do ambiente digital, como exercícios físicos, leitura e momentos de convivência social.
Para os pesquisadores, o objetivo não é abandonar a tecnologia, mas utilizá-la de forma mais consciente e equilibrada. “Queremos ajudar as pessoas a se sentirem mais no controle do uso dos seus aparelhos”, afirmou Eleanor Drage.
Crédito da foto: Getty Images / BBC
Fonte: G1


















