Proibição das carroças em BH entra em vigor e expõe impasse social, ambiental e econômico

Por Dentro De Tudo:

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A proibição do uso de veículos de tração animal em Belo Horizonte começa a valer nesta quinta-feira (22) e reacende um debate que divide trabalhadores, defensores dos direitos dos animais e o poder público. A medida, aprovada pela Câmara Municipal, atinge diretamente carroceiros que dependem da atividade para sobreviver, enquanto busca reduzir o sofrimento de cavalos no ambiente urbano. Estimativas indicam que cerca de 10 mil famílias podem ser impactadas na Grande BH.

Sem um censo oficial, a prefeitura reconhece que apenas parte dos carroceiros está cadastrada em programas de transição. Muitos trabalhadores afirmam não ter alternativas imediatas de renda e relatam insegurança diante da mudança, apontando dificuldades para se inserir em outras atividades profissionais. A falta de um plano de transição considerado suficiente é uma das principais críticas feitas por representantes da categoria e por órgãos de defesa de direitos humanos.

Do outro lado, ativistas pelos direitos dos animais defendem a proibição total, destacando que o uso de carroças submete cavalos a esforço excessivo, calor, falta de descanso e riscos no trânsito urbano. A prefeitura afirma que a política pública prevê substituição por triciclos motorizados, acesso a cursos profissionalizantes, apoio social e cuidados veterinários, além da possibilidade de doação ou permanência dos animais com os antigos proprietários.

Enquanto a lei passa a valer, o cenário é de incerteza. O desafio agora é conciliar proteção animal, inclusão social e alternativas econômicas reais para os trabalhadores afetados, evitando que a proibição resulte apenas na informalidade ou na marginalização de famílias historicamente vulneráveis.

Fonte da matéria: Rádio Itatiaia

Fonte da foto: Karoline Barreto / Câmara Municipal de Belo Horizonte

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