Conciliar o trabalho doméstico com as demandas profissionais é um desafio para as mineiras. Pesquisa realizada pelo Sebrae revela que 69% das empreendedoras do Estado são também as principais responsáveis pelas tarefas de casa e pela criação dos filhos, enquanto apenas 31% dos homens que empreendem assumem majoritariamente essas funções. A sobrecarga da dupla jornada impacta negativamente na carreira feminina e pode reduzir o tempo de vida dos negócios femininos.
“Apesar de empreender ser um desafio tanto para homens quanto para mulheres, para elas, por uma questão cultural, é ainda mais difícil. Ainda se acredita que as mulheres são responsáveis pela gestão de casa, dos cuidados com os filhos. Ao mesmo tempo em que elas precisam lidar com os negócios e questões financeiras”, afirma a analista do Sebrae Rachel Dornelas.
Os dados apresentados nesta terça-feira (7 de março), véspera do Dia Internacional da Mulher, também mostram que além da jornada dupla de trabalho, outro desafio delas é a manutenção do próprio negócio. Segundo a pesquisa, a taxa de empreendedores em estágio inicial é de 46% para mulheres e 54% para homens. Contando cerca de três anos e meio de vida, a taxa de negócios femininos ativos cai para 31% , enquanto para os homens sobe para 69%.
“Isso acontece pois, além dos homens não terem que lidar com essa sobrecarga de trabalho (jornada dupla em casa e no trabalho), eles podem se dedicar mais aos negócios. Outro ponto é que, em muitos casos, as mulheres começam a empreender devido a uma necessidade financeira pontual, em que não há planejamento. É como uma medida emergencial para sanar uma questão financeira de momento. Quando a situação é corrigida, a mulher acaba largando aquele trabalho ou deixando de executar (o negócio) por falta de planejamento”, detalha a analista Izabella Siqueira.
Nem sobrecarga doméstica, nem falta de planejamento. A principal dificuldade enfrentada pela confeiteira Dan Costa é a falta de tempo para se dedicar aos bolos e doces para bebês na empresa que ela montou há quase três anos: “falta tempo. Eu aproveito quando meu filho, de 4 anos, está na escola para desenvolver minhas coisas e ir para a produção. Mas eu tenho que fazer as encomendas, e ao mesmo tempo, queria poder experimentar coisas novas, testar receitas, inovar, e não dá”.
Apesar de morar próximo à família e ter um marido que entende bem suas responsabilidades domésticas, ela afirma precisar de mais ajuda, seja nos cuidados com o filho ou na empresa. “Eu já tenho necessidade de ter funcionário aqui, mas tenho que me estruturar para conseguir pagar uma pessoa que vai me ajudar na cozinha. Também acho que uma alternativa seria deixar meu filho o dia inteiro na escola, mas isso vai além, pois penso no tempo em que terei para ficar com ele. São escolhas, né?” reflete.
Na Pesquisa Mulheres Empreendedoras Sebrae Minas 2023, das 1.213 pessoas ouvidas, 45% das mulheres apontaram a gestão financeira como a maior dificuldade na lida com o próprio negócio. O segundo maior desafio é conciliar o trabalho com a vida pessoal (35%); o acesso ao crédito bancário e carga tributária, na sequência, com 28% e 27%, respectivamente. Para Bárbara Castro da Unidade de Inteligência Empresarial, do Sebrae, é fundamental o apoio de diferentes agentes na participação da mulher no mercado de trabalho, seja em formatos de CLT ou empreendedorismo.
“Sabemos que o empreendedorismo é um motor da economia, por isso, vários atores precisam ser envolvidos para fomentar e apoiar as mulheres empreendedoras. O Sebrae é um deles. Temos diversas soluções, iniciativas e projetos de articulação na comunidade empresarial. A mulher precisa de uma rede de apoio, precisa da conexão com outras donas de negócio, para aprender melhores práticas e para fortalecer seu próprio negócio”, comenta a especialista, com base nos dados da pesquisa que mostram que 53% das empreendedoras que tiveram contato com uma dona de negócio, se inspiraram a empreender nelas. Além disso, 40% delas disseram ter uma rede de contato com outras mulheres empreendedoras na lida com o próprio negócio, e 83% disseram que dão ou darão preferência para a contratação de funcionárias mulheres.
O que leva a empreender?
No estudo apresentado pelo Sebrae, 63% das mulheres afirmaram que abriram o próprio negócio para terem mais autonomia e flexibilidade, enquanto esse mesmo motivo levou 52% dos homens a empreender. A necessidade financeira foi a razão para 45% das mulheres e para 34% dos homens. Já a vocação e o desejo motivaram 42% delas e 49% deles. Vinte e nove por cento delas e 39% deles resolveram empreender por experiência na área.
Fonte: O tempo.















