Polícia Federal investiga redes sociais que incitam violência contra mulheres. A PF está apurando conteúdos que incentivam agressões contra o sexo feminino. Em Curitiba, uma recepcionista de hotel chamada Maria Neuzete Batista relata ter sido assediada por um hóspede após ter recusado bebida. Ela afirma ter dito não e, em resposta, levado agressões que chegaram a deixá-la desmaiada. O agressor foi identificado como Jhonathan Reynaldo dos Santos, de 24 anos, que ficou detido em flagrante. O advogado da vítima, Jackson Bahls, afirma que aquele homem poderia ter tirado a vida dela caso a rejeição não tivesse ocorrido.
Segundo estudos de duas importantes instituições brasileiras, os registros de ódio contra mulheres cresceram de modo preocupante nos últimos anos, com as redes sociais funcionando como ambiente fértil para a propagação dessa violência. Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas aponta que, apenas em uma plataforma, o Telegram, existem 200 mil usuários em grupos que estimulam a violência contra mulheres. Essas comunidades teriam crescido cerca de 600 vezes desde a pandemia. A pesquisadora Julie Ricard, da FGV, explica que muitos homens interpretam qualquer recusa ou limite imposto pelas mulheres como agressão contra eles, o que alimenta a misoginia.
Os pesquisadores do NetLab, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, voltaram a analisar o YouTube. Eles observaram que nove em cada dez canais que propagam ódio, desprezo, aversão ou controle sobre as mulheres permanecem ativos mesmo após identificação, acumulando 23 milhões de inscritos, com um crescimento de 18%. Luciane Belin, pesquisadora do NetLab/UFRJ, afirma que a misoginia também deve ser criminalizada e aponta que a única lei brasileira específica nesse tema é a Lei Lola, promulgada em 2018, que atribui à Polícia Federal a responsabilidade de investigar crimes de discursos de ódio contra mulheres em ambientes digitais.
O caso mais recente sob investigação da PF envolve vídeos que viralizaram nas redes sociais com a legenda “treinando caso ela diga não”. Nas imagens, jovens simulam chutes, socos e facadas em objetos que representam mulheres. Os vídeos tiveram origem em quatro perfis do TikTok, que foram removidos pela plataforma.
A mulher que sofreu violência apenas por dizer não busca justiça. Maria Neuzete pergunta: “Eu lutei pela minha vida. Só porque eu não deixei uma pessoa… Eu disse não. Então, eu sou obrigada a pessoa chegar e me assediar e eu aceitar para não morrer?”. A defesa de Jhonathan Reynaldo dos Santos afirmou que só se manifestará nos autos do processo. O TikTok informou ter removido os conteúdos assim que recebeu as primeiras denúncias, destacando que sua prioridade é manter a comunidade segura. O YouTube declarou que discursos de ódio, assédio e cyberbullying não são permitidos e que aplica políticas de conteúdo com rigor. O Telegram não respondeu aos questionamentos do Jornal Nacional.
Fonte: Jornal Nacional. Crédito da foto: Globo. Reprodução: Jornal Nacional, TV Globo. Dados e informações de entrevistas com Maria Neuzete Batista, Jackson Bahls e pesquisadoras do NetLab/UFRJ e FGV.
Crédito da foto: Globo
Fonte: Jornal Nacional, TV Globo
















