A falta de medicamentos do chamado “kit intubação”, usado em pacientes com quadros graves da Covid-19, traz preocupação a autoridades de saúde em Belo Horizonte e já provoca o fechamento de leitos na cidade. De acordo com o secretário municipal de Saúde, a situação é “de calamidade” e “desesperadora”.
“Estamos muito preocupados com a falta de insumos, principalmente do ‘kit intubação’. Esse é um problema nacional, hospitais estão comprando ‘kits intubação’ com aumento de até 500% no preço. Os fornecedores não têm fornecido para ninguém porque a demanda é muito alta”, disse.
O secretário disse que, apesar dos esforços para abertura de novos leitos na capital, a falta de insumos se torna obstáculo, junto a falta de profissionais e até de espaço físico.
“Tivemos que fechar dez leitos no Hospital Luxemburgo por falta de insumos, dez leitos de UTI por causa de falta de ‘kit intubação’”, afirmou.
O fechamento desses leitos aconteceu na mesma semana em que a prefeitura anunciou abertura de mais 26 leitos, na quarta e na quinta-feira, sem, no entanto, conseguir reduzir significativamente a taxa de ocupação, que segue em alerta máximo na capital, acima de 90%.
Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria Municipal de Saúde informou que o monitoramento dos medicamentos que fazem parte do “kit intubação” é realizado diariamente. Disse também que a secretaria tem recebido doações de sociedades médicas. O quantitativo de medicamentos ainda está sendo levantado.
“A Secretaria Municipal de Saúde trabalha incansavelmente para que não haja desabastecimento, acionando o Estado e o Ministério da Saúde”, disse ainda a pasta.
Fechamento total
Durante o encontro virtual, a presidente do Conselho Municipal de Saúde, Carla Anunciatta, pediu, entre outros pontos, que Belo Horizonte adote, por pelo menos três semanas, o fechamento total da cidade. Ela também cobrou a ampliação da vacinação.
Já o vice-presidente do Conselho Estadual de Saúde, Ederson Alves, pediu a extensão da onda roxa, já que, nesta semana, parte do estado regrediu para a onda vermelha.
De acordo com o secretário municipal, a prefeitura não tem autonomia para decretar o fechamento total da cidade.
“Segundo o parecer da Procuradoria-Geral do Município, [o prefeito] não tem autonomia para fazer lockdown. Tanto isso é verdade que recentemente tivemos que suspender o toque de recolher. Então, nós não temos autonomia, é uma prerrogativa exclusiva do governo federal”, disse.
Já Baccheretti afirmou, em reposta à demanda do conselho, que a Onda Roxa está sendo ampliada na maior parte do estado. Nesta quinta, foi divulgado que a fase mais restritiva do plano de flexibilização será válida até o dia 18.


















