O Estado do Rio de Janeiro possui ao menos 442 locais apontados por usuários como pontos de prática de sexo em espaços públicos, segundo levantamento de uma plataforma voltada a adeptos do sexo liberal e conteúdo adulto. O número coloca o Rio como o segundo estado do país com mais registros desse tipo, atrás apenas de São Paulo.
A prática, conhecida como dogging, envolve relações sexuais consensuais em locais abertos, geralmente entre pessoas que não se conhecem previamente. De acordo com especialistas, o fenômeno reúne indivíduos de diferentes grupos sociais, gêneros e orientações sexuais, e não se trata de um comportamento recente.
Na capital fluminense, a discussão ganhou força após a repercussão do episódio que ficou conhecido como “Surubão do Arpoador”, quando imagens de uma orgia em plena praia circularam nas redes sociais no início de 2025. O caso levou a prefeitura e a Polícia Militar a adotarem medidas restritivas no local, como a limitação de horários de acesso durante a madrugada.
Apesar disso, o levantamento aponta que o Arpoador está longe de ser um caso isolado. Outros pontos da cidade, incluindo praias, mirantes e áreas de mata urbana, seguem sendo frequentados por praticantes, muitos deles mantidos em sigilo entre grupos específicos.
Pesquisadores lembram que o uso de espaços públicos para encontros sexuais ocorre há mais de um século no Rio. O sociólogo João Otávio Galbieri cita registros históricos desde o século XIX, quando áreas como o antigo Largo do Rossio, atual Praça Tiradentes, já eram monitoradas por autoridades devido à sociabilidade homoerótica.
Do ponto de vista legal, a prática pode ser enquadrada como ato obsceno, conforme o artigo 233 do Código Penal. Dados do Instituto de Segurança Pública mostram que as denúncias desse tipo caíram ao longo da última década, mas voltaram a crescer após a pandemia.
Especialistas em sexualidade apontam que fatores como adrenalina, transgressão, voyeurismo e busca por liberdade estão entre as principais motivações. Ainda assim, alertam para os riscos envolvidos, incluindo violência, exposição e conflitos com a lei.
Em 2024, um episódio no Mirante do Pasmado terminou em morte após a abordagem de um criminoso a um casal no local, reforçando a preocupação das autoridades com segurança pública em áreas frequentemente utilizadas para esse tipo de encontro.
Enquanto o debate avança, o tema segue dividindo opiniões entre repressão, liberdade individual e uso responsável dos espaços públicos.
Crédito da matéria: Thayná Rodrigues — O Globo
Crédito da foto: Reprodução / O Globo
















