Síndrome de Guillain-Barré: entenda a doença

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Mulher está em estado grave após usar caneta emagrecedora do Paraguai. Kellen Oliveira Bretas Antunes, internada após usar uma caneta emagrecedora do Paraguai vendida de forma ilegal e sem prescrição médica, foi diagnosticada com Síndrome de Guillain-Barré (SGB), segundo parentes. A Síndrome de Guillain-Barré é uma condição neurológica rara e grave, em que o sistema imunológico do corpo ataca o sistema nervoso periférico, resultando na inflamação dos nervos e levando à fraqueza muscular, formigamento, dormência e, em casos mais graves, paralisia. Embora a causa exata ainda seja desconhecida, a SGB costuma estar associada a infecções virais anteriores. Entenda mais abaixo.

Quais são os sintomas? Os sintomas costumam ser motores e, na maioria dos casos, têm caráter ascendente, começando nos pés, subindo pelas pernas e atingindo os braços. Há dificuldade para andar e manusear objetos, podendo chegar à paralisia da face, em que o indivíduo fica sem expressão facial, explica o neurologista Osvaldo Nascimento, da Universidade Federal Fluminense. Os sintomas sensitivos também podem ocorrer e vão desde dormência nos pés ou nas pernas e nas mãos até dores distribuídas nessas regiões.

Imagem de microscópio eletrônico mostra a bactéria Campylobacter jejuni, que desencadeia cerca de 30% dos casos de Síndrome de Guillain-Barré. Crédito da foto: Domínio Público.

Outros sinais e sintomas que podem estar relacionados à Síndrome de Guillain-Barré, segundo o Ministério da Saúde, incluem sonolência, confusão mental, coma, crise epiléptica, alteração do nível de consciência, perda da coordenação muscular, visão dupla, fraqueza facial, tremores, redução ou perda do tônus muscular, dormência, queimação ou coceira nos membros.

Qual a causa? Algumas condições podem precipitar uma reação imunológica que ataca o sistema nervoso, mas não existe uma causa específica única. Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, várias infecções têm sido associadas à Síndrome de Guillain-Barré, com a infecção por Campylobacter, que causa diarreia, sendo a mais comum. Outras infecções identificadas na literatura científica que podem desencadear a doença incluem Zika, dengue, chikungunya, citomegalovírus, vírus Epstein-Barr, sarampo, vírus influenza A, Mycoplasma pneumoniae, enterovirus D68, hepatite A, B e C, HIV, entre outros.

Como é feito o diagnóstico? Não há um teste único específico para o diagnóstico. A síndrome é definida por meio de um conjunto de sinais e sintomas; no caso da Guillain-Barré, esses sinais são clínicos nos primeiros dias e não aparecem apenas em exames. “O médico precisa estar atento ao reconhecimento clínico. O neurologista tem uma intimidade maior com o diagnóstico, mas é importante que o paciente procure a emergência, para que o profissional da saúde tenha o conhecimento para ajudar a reconhecer e orientar para o tratamento adequado”, diz Nascimento.

Exames que podem ajudar: O exame do líquido da espinha (líquido cefalorraquidiano) pode auxiliar, mas geralmente após alguns dias, quando há um aumento das proteínas sem elevação de células. “A dissociação: muita proteína, pouca célula, ajuda no diagnóstico”, explica. Posteriormente, alterações da condução nervosa podem ser avaliadas por eletroneuromiografia, que mostra alterações indicativas de lesão da mielina.

Como é feito o tratamento? O tratamento depende da situação clínica do paciente. Em alguns casos, pode haver paralisia da musculatura respiratória e alterações do ritmo cardíaco, exigindo internação na Unidade de Terapia Intensiva. Geralmente, o tratamento envolve imunoglobulina ou plasmaférese. “A imunoglobulina é administrada durante cinco dias e, se não houver resposta, pode-se tentar a plasmaférese, que troca o plasma para remover anticorpos que não estejam envolvidos com a doença”, explica Nascimento.

Como é a recuperação? Segundo Nascimento, a maioria dos pacientes tem recuperação completa após o tratamento, mas cerca de 15% podem deixar sequelas e 5% podem falecer em decorrência da gravidade, com alterações a nível respiratório e cardíaco, além de quedas na função geral e complicações associadas à internação prolongada. A fisioterapia desempenha papel importante, especialmente para os casos mais graves que requerem internação na UTI, ajudando a manter a motricidade e evitar atrofias, embora por si só não resolva o problema.

Crédito da foto: Domínio Público

Fonte: G1 (Globo) via g1.globo.com

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Crédito da foto: Domínio Público
Fonte: G1 (Globo) https://g1.globo.com/

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