O Sistema Único de Saúde (SUS) vai ampliar o uso do antibiótico doxiciclina para prevenir duas infecções sexualmente transmissíveis bacterianas: sífilis e clamídia. A decisão foi oficializada em portaria do Ministério da Saúde, publicada nesta quarta-feira (11) no Diário Oficial da União. O texto autoriza que o medicamento seja utilizado como profilinga pós-exposição (PEP) — ou seja, após uma situação considerada de risco de transmissão, como uma relação sexual desprotegida. Segundo a portaria, o SUS terá até 180 dias para organizar a oferta da nova indicação do medicamento. O uso seguirá critérios definidos em Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas, que estabelece quais grupos poderão receber o medicamento e em quais situações a profilaxia será indicada.
A doxiciclina é um antibiótico usado há décadas no tratamento de diversas infecções bacterianas. O medicamento atua bloqueando a produção de proteínas essenciais para as bactérias, impedindo que elas se multipliquem no organismo. Quando administrado logo após uma possível exposição, o remédio pode eliminar as bactérias antes que elas consigam se estabelecer no corpo e provocar a doença. No caso da sífilis e da clamídia, existe um intervalo entre o contato com a bactéria e o início da infecção. Durante esse período inicial, o uso do antibiótico pode interromper o processo de multiplicação bacteriana, reduzindo a chance de que a doença se desenvolva. Essa abordagem é chamada de profilaxia pós-exposição, uma estratégia já utilizada em outras situações na saúde pública, como na prevenção do HIV após uma exposição de risco.
Sífilis e clamídia são infecções sexualmente transmissíveis bacterianas comuns. Ambas são transmitidas principalmente por relações sexuais sem preservativo, incluindo sexo vaginal, anal e oral. A sífilis, causada pela bactéria Treponema pallidum, costuma começar com uma ferida indolor na região genital, anal ou na boca, que pode desaparecer sozinha. Sem diagnóstico e tratamento adequados, a doença evolui em fases e pode atingir órgãos como cérebro, coração e vasos sanguíneos, causando complicações graves. A infecção também pode ser transmitida da gestante para o bebê durante a gravidez, situação conhecida como sífilis congênita, que pode provocar malformações, parto prematuro ou morte fetal. Já a clamídia, causada pela bactéria Chlamydia trachomatis, muitas vezes não apresenta sintomas, o que facilita a transmissão sem que a pessoa perceba. Quando aparecem, os sinais podem incluir corrimento genital, dor ao urinar e dor pélvica. Sem tratamento, a infecção pode levar a doença inflamatória pélvica, dor crônica e infertilidade, especialmente em mulheres.
A prevenção continua essencial. O tratamento das duas doenças é feito com antibióticos, mas especialistas ressaltam que o uso da doxiciclina como profilaxia não substitui outras formas de prevenção. O uso de preservativos, a testagem regular para ISTs e o diagnóstico precoce são as principais estratégias para reduzir a transmissão dessas infecções. Segundo a portaria, o relatório técnico que embasou a decisão foi elaborado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e estará disponível no site do órgão.
Fonte: g1.globo.com, matéria publicada em 11 de março de 2026, com crédito da foto indicado: Freepik. Crédito da imagem: Freepik. Fotografias associadas: mãos de paciente com psoríase (ilustração de arquivo) (accessible via link no corpo da matéria). Texto baseado na nota publicada pelo portal G1, via Diário Oficial da União. Crédito da foto: Freepik. Fonte: g1.globo.com.

















