O início do processo de reciprocidade do Brasil contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos pode provocar impactos nos preços, no comércio exterior e no crescimento da economia brasileira, segundo avaliação de um economista da LCA Consultores.
A medida foi anunciada pelo governo federal nesta quinta-feira (13) e prevê consultas diplomáticas antes de uma eventual aplicação de tarifas sobre produtos norte-americanos.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as novas tarifas dos Estados Unidos atingem cerca de 23,1% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.
Na avaliação do economista João Pedro Revoredo, as sobretaxas podem reduzir a competitividade dos produtos brasileiros nos EUA, já que os preços ficam maiores para consumidores e empresas daquele país. Isso pode diminuir a demanda e afetar as exportações brasileiras.
Caso o Brasil também aplique tarifas sobre produtos norte-americanos, esses itens poderão ficar mais caros no mercado brasileiro. A consequência pode ser a substituição de produtos dos EUA por mercadorias de outros países, além de uma possível pressão sobre a inflação.
O impacto, porém, dependerá dos produtos que eventualmente forem incluídos nas medidas. Tarifas sobre bens de consumo tendem a afetar diretamente os preços, enquanto impostos sobre bens de capital podem aumentar custos para empresas e comprometer investimentos e a capacidade produtiva no longo prazo.
O governo brasileiro afirma que pretende priorizar o diálogo e as negociações durante o processo de reciprocidade.
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