Minas Gerais está passando por uma das secas mais severas dos últimos anos, acompanhada por uma onda de calor que tem intensificado os incêndios florestais em várias regiões do estado. Com mais de 100 dias consecutivos sem chuvas significativas, as altas temperaturas e a umidade relativa do ar extremamente baixa têm criado um ambiente propício para a propagação de incêndios, que vêm devastando parques e áreas de vegetação nativa.
Cenário alarmante
Desde o início de agosto, as chamas têm destruído grandes áreas de preservação ambiental, incluindo o Parque Nacional da Serra do Cipó, o Parque Estadual do Itacolomi em Ouro Preto, e a Serra da Moeda, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Esses incêndios não apenas destroem a flora e a fauna locais, mas também colocam em risco a saúde das populações vizinhas, que são impactadas pela fumaça e poluentes liberados pelo fogo.
A fumaça espessa que paira sobre várias cidades de Minas Gerais tem levado as autoridades de saúde a emitirem alertas para a população, especialmente para crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios. A qualidade do ar, que já é afetada pelo tempo seco, se deteriora ainda mais com a presença de partículas nocivas, tornando a situação crítica.
Respostas e desafios
Para enfrentar a crise, o Governo de Minas Gerais, em parceria com o Instituto Estadual de Florestas (IEF), lançou uma força-tarefa que inclui a contratação temporária de brigadistas especializados na prevenção e combate a incêndios florestais. Este ano, cerca de 400 brigadistas, entre profissionais e voluntários, foram mobilizados para atuar em conjunto com o Corpo de Bombeiros em diversas regiões do estado.
Além dos brigadistas, a Força-Tarefa Previncêndio, que integra o IEF, as polícias Civil e Militar, e o Corpo de Bombeiros Militar, tem empregado aeronaves e helicópteros para combater os incêndios nas áreas mais afetadas. O uso de tecnologia e a mobilização de recursos humanos são fundamentais para conter as chamas, mas o desafio é imenso, dada a extensão dos focos de incêndio e a dificuldade de acesso a algumas áreas.
Causas e consequências
A maioria dos incêndios em Minas Gerais tem origem na ação humana, seja por negligência ou atos deliberados. A queima de lixo em áreas próximas às unidades de conservação e o descarte irresponsável de bitucas de cigarro são algumas das causas mais comuns. Além disso, a falta de conscientização sobre os riscos de realizar queimadas em períodos de seca agrava ainda mais a situação.
As consequências desses incêndios são devastadoras. Além da perda irreparável de biodiversidade, os incêndios florestais afetam diretamente as comunidades rurais que dependem dos recursos naturais para subsistência. A contaminação dos corpos d’água por cinzas e resíduos tóxicos, como o ocorrido no Rio Bagagem, na BR-365, é outro impacto grave que prejudica o abastecimento de água para populações locais.
Recomendações para a população
Diante desse cenário, as autoridades de saúde recomendam que a população adote medidas para se proteger da fumaça e dos poluentes. Aumentar a ingestão de líquidos para manter as vias respiratórias umidificadas, evitar a exposição prolongada ao ar livre, especialmente durante os períodos de maior concentração de poluentes, e utilizar máscaras para filtrar as partículas são algumas das orientações.
O alerta também se estende à importância da prevenção.



















