O diagnóstico de uma jovem que sofreu uma grave lesão após andar na montanha-russa Montezum, no Hopi Hari, chamou a atenção para o mecanismo médico conhecido como traumatismo por contragolpe. Segundo o laudo médico, a lesão foi provocada durante o passeio na atração. O documento médico aponta que houve traumatismo cranioencefálico associado a um mecanismo de contragolpe, ou seja, lesão que ocorre no lado oposto ao ponto de impacto ou ao movimento que provoca o trauma.
A jovem saiu da atração desacordada e foi levada em estado grave para a Santa Casa de Vinhedo. Exames identificaram hemorragia intracraniana e edema cerebral, levando-a a uma cirurgia de emergência. Imagens exibidas pela reportagem mostram os momentos finais de uma jovem antes e depois do acidente na Montezum.
O que é o mecanismo de contragolpe
Segundo o neurocirurgião ouvido pela reportagem, o cérebro pode sofrer lesões internas mesmo sem impacto direto na cabeça, pois o órgão se desloca dentro do crânio diante de forças intensas de aceleração e desaceleração. “Apenas um movimento brusco de aceleração, desaceleração e rotação do crânio pode fazer a ruptura de vasos sanguíneos cerebrais, causando uma hemorragia intracraniana e levando a um edema cerebral, como ocorreu no caso em questão”, explicou o médico. O cérebro fica protegido pela caixa craniana, mas pode sofrer lesões quando há movimentos intensos que o deslocam rapidamente.
Consequências para a jovem
Após o acidente, a paciente permaneceu internada por 57 dias. A gravidade do quadro exigiu uma craniectomia descompressiva, procedimento para permitir que o cérebro inchado tenha espaço dentro do crânio. O neurocirurgião explicou que a cirurgia visa retirar parte da calota craniana para permitir o inchaço cerebral. Cinco meses depois, a jovem ainda enfrenta um longo processo de recuperação, com perda de movimentos do lado esquerdo do corpo, dificuldades na fala e falhas de memória. Foram sete cirurgias realizadas até o momento, com acompanhamento de fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia.
Investigação em andamento
O caso está sob apuração do Ministério Público de São Paulo, que determinou perícia na montanha-russa para apurar as circunstâncias do acidente. A família também acionou a Justiça para esclarecimentos. O Hopi Hari informou que a Montezum possui certificação internacional do grupo TÜV Nord e recebe inspeções anuais, além de seguir normas nacionais para parques de diversões. Em nota, o parque informou que placas e avisos alertam sobre restrições, definindo a atração como radical e contraindicada para pessoas com problemas na coluna, gestantes e portadores de condições clínicas específicas.
A instituição também ressaltou que a jovem recebeu atendimento imediato, com acompanhamento próximo durante a internação, custeio das despesas e disponibilização de seguro à família. Sobre casos ocorridos antes de 2019, o parque afirmou que são de gestões anteriores. O texto também trouxe informações sobre as reformas previstas para a Montzum no final de 2026 e sobre o parecer do Ministério Público de São Paulo, que não identificou risco coletivo associado à atração.
Caso e segurança
A montanha-russa é monitorada por procedimentos de inspeção técnica diária, semanal e mensal, com equipes dedicadas que atuam na manutenção e segurança. O Ministério Público, em parecer, ressaltou a regularidade do funcionamento da atração sob a ótica da proteção aos consumidores, destacando que não houve defeito sistêmico no brinquedo. Em resposta a reclamações, o parque informou que a taxa de queixas é irrisória frente ao número de visitantes, e que o atendimento aos queixas é tratado pelo Serviço de Atendimento ao Visitante.
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Créditos
Texto: via g1
Foto: g1













