Três vírus acendem alerta global para possíveis novas crises sanitárias em 2026

Por Dentro De Tudo:

Compartilhe

O mundo ainda enfrenta os reflexos da pandemia de Covid-19, mas especialistas em doenças infecciosas já monitoram novas ameaças virais que podem desencadear crises sanitárias em 2026. Um cenário marcado por aquecimento global, crescimento populacional e alta mobilidade internacional tem favorecido a evolução e a disseminação de patógenos. Entre os vírus que mais preocupam estão o Oropouche, a gripe aviária H5N1 e o mpox.

Vírus Oropouche avança no Brasil

O vírus Oropouche, transmitido por pequenos mosquitos, provoca sintomas semelhantes aos da gripe e, por décadas, esteve restrito principalmente à região amazônica. No entanto, desde os anos 2000, vem ampliando sua área de circulação pela América do Sul, América Central e Caribe.

Em 2024, o Brasil registrou as primeiras mortes associadas à infecção. Dados da Organização Pan-Americana da Saúde indicaram que, até agosto de 2025, o país concentrava cerca de 90% dos casos nas Américas, com registros em 20 estados. Também foram observados casos na Europa ligados a viajantes infectados.

Outro fator de preocupação é a investigação sobre possível transmissão vertical — de mãe para filho — e a suspeita de relação com microcefalia e óbitos fetais. Não há vacina nem tratamento específico disponível. Em janeiro de 2026, a Organização Mundial da Saúde apresentou proposta para acelerar o desenvolvimento de ferramentas de prevenção e controle contra o vírus.

Gripe aviária H5N1 amplia alcance

A gripe aviária H5N1 também está sob vigilância internacional. Tradicionalmente associada a aves, a cepa foi detectada em vacas leiteiras nos Estados Unidos em 2024, indicando adaptação a novos hospedeiros. Estudos apontam transmissões esporádicas para humanos, embora ainda sem evidência de disseminação sustentada entre pessoas.

Segundo os Centers for Disease Control and Prevention (CDC), foram confirmados 71 casos humanos e duas mortes desde 2024 nos Estados Unidos. No Brasil, houve confirmação de foco da doença em granja comercial em 2025.

O principal receio é que o vírus sofra mutação que permita transmissão eficiente entre humanos, cenário necessário para uma nova pandemia. Vacinas específicas estão em desenvolvimento, incluindo pesquisas conduzidas pelo Instituto Butantan.

Mpox mantém circulação global

O mpox, anteriormente chamado de varíola dos macacos, deixou de ser uma doença restrita a regiões da África após a disseminação global da cepa clado IIb em 2022. Atualmente, o vírus circula de forma recorrente em diversos países, com transmissão principalmente por contato físico próximo.

Paralelamente, países da África Central registram aumento de infecções pela cepa clado I, considerada mais grave. Casos recentes também foram notificados nos Estados Unidos sem histórico de viagem à África, o que indica possível transmissão local.

Embora exista vacina, ainda não há tratamento específico amplamente disponível, e especialistas alertam que a evolução viral ao longo de 2026 pode impor novos desafios.

Outras ameaças em monitoramento

Além desses três vírus, o cenário global inclui preocupação com chikungunya, sarampo e vírus Nipah. A queda nas taxas de vacinação contra o sarampo, por exemplo, tem provocado surtos em diferentes países. Já o vírus Nipah voltou ao radar após surto na Índia, embora ainda sem indícios de potencial pandêmico.

O contexto reforça a importância da vigilância epidemiológica, da ampliação da cobertura vacinal e do fortalecimento dos sistemas de saúde para resposta rápida a novas emergências sanitárias.

Fonte da matéria: g1 — “Os três vírus que podem desencadear novas crises em 2026”.

Fonte das fotos: NIH-NIAID/IMAGE POINT FR/BSIP/picture alliance (imagem do mpox) e bancos institucionais de imagens científicas.

Encontre uma reportagem