Um estudo clínico internacional liderado pelo Einstein Hospital Israelita identificou maior adesão ao tratamento e redução da pressão arterial entre pacientes com hipertensão que mantiveram o uso de um aplicativo de saúde ao longo de seis meses. A pesquisa ELFIE-HYPERTENSION acompanhou 930 pacientes com hipertensão não controlada em 16 centros de pesquisa no Brasil e no Vietnã. Os participantes foram randomizados em dois grupos: metade teve acesso ao aplicativo Elfie, além do tratamento convencional, enquanto a outra metade recebeu apenas o tratamento convencional.
Entre os pacientes que interagiram com o aplicativo pelo menos uma vez por mês, houve redução da pressão arterial sistólica de 4,2 mmHg. Entre aqueles com uso semanal mais consistente, a queda foi de 4,8 mmHg. Os pesquisadores destacam que não é necessário utilizar a ferramenta diariamente para observar benefícios relacionados ao engajamento com o tratamento. O app oferece lembretes para a tomada de medicamentos, registro da pressão arterial, conteúdos educativos, gamificação e um assistente virtual baseado em inteligência artificial.
Ao analisar todos os participantes que receberam acesso ao aplicativo, independentemente da frequência de uso, os pesquisadores também observaram melhora na adesão ao tratamento anti-hipertensivo, melhores indicadores de autocuidado, menor necessidade de intensificação da terapia e menos consultas e visitas cardiovasculares não planejadas, em comparação com o tratamento convencional isolado. Contudo, a diferença estatisticamente significativa na pressão arterial sistólica ao final dos seis meses não foi observada entre os grupos.
Entre as hipóteses para esse resultado, os pesquisadores mencionam o efeito Hawthorne, ou seja, o simples acompanhamento próximo dos participantes durante o ensaio clínico pode ter provocado mudanças de comportamento. Análises pré-definidas levando em conta o nível de utilização do aplicativo mostraram que 56% dos usuários do grupo com acesso usaram o app regularmente durante os seis meses, enquanto 40% o fizeram semanalmente em pelo menos 80% do tempo de acompanhamento. Os melhores resultados clínicos ocorreram entre os pacientes com maior consistência de uso.
Para a cardiologista envolvida no estudo, os resultados indicam que a tecnologia de saúde precisa, além de existir, manter o paciente engajado ao longo do tempo. “A inovação em saúde depende não apenas do desenvolvimento de novas tecnologias, mas também da demonstração de seu impacto no mundo real por meio de uma metodologia científica robusta. Recursos como gamificação, monitoramento personalizado e inteligência artificial podem ajudar a estimular a participação dos usuários e apoiar comportamentos relacionados ao tratamento”, afirma.
Ao final da pesquisa, 89,4% dos usuários consideraram útil o plano de monitoramento da pressão arterial oferecido pelo aplicativo. Outros 83,9% disseram que os lembretes ajudaram na tomada diária dos medicamentos, e 78,5% manifestaram a intenção de continuar utilizando a ferramenta após o fim do estudo. O ENSAIO foi apresentado no ESC Congress 2026, principal encontro científico da Sociedade Europeia de Cardiologia, e ainda não foi publicado em revista científica. A pesquisa foi conduzida pela Academic Research Organization (ARO) do Einstein, responsável pelo desenho, coordenação e condução do estudo.
A hipertensão é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, como infarto e AVC. O acompanhamento médico e o uso correto dos medicamentos continuam sendo fundamentais para o controle da doença. O Elfie é gratuito e está disponível para Android e iOS.
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Texto: via g1
Foto: g1











