Representantes do setor funerário vão colocar em prática um plano de contingência para que não haja falta de caixões em Minas Gerais. A alta demanda provocada pelas mortes por Covid-19 no estado provocaram uma grande procura por matéria-prima em todo o país.
“Não está faltando urnas funerárias no momento. Mas é motivo de preocupação. Daí decidimos nos preparar através deste plano de contingência”, disse o presidente do Sindicato das Empresas Funerárias e Congêneres na Prestação de Serviços Similares do Estado de Minas Gerais, Daniel Pereirinha.
A decisão foi tomada durante reunião com mais de 70 empresas associadas pelo estado nesta sexta-feira (19), para avaliar a situação de Minas Gerais. O encontro foi realizado após a Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário (Abredif) emitir recomendação às funerárias de todo o país para que suspendam férias de funcionários e que realizem outras medidas emergenciais.
Até esta quinta-feira (18), o estado confirmou 21.303 óbitos causados pela doença, sendo 274 nas últimas 24 horas. Já o número de casos ultrapassou a marca de 1 milhão.
“A situação até o momento é administrável em Belo Horizonte”, disse Pereirinha.
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Na reunião, as entidades fizeram um mapeamento do estado para observar onde é a situação mais crítica. De acordo com Pereirinha, Uberlândia, no Triângulo Mineiro, aumentou em 60% a demanda por serviços funerários.
Outro ponto discutido foi a vacinação de trabalhadores do setor. Eles são considerados essenciais na pandemia e muitos municípios do país já começaram a imunização da categoria.
“O ponto mais preocupante é a vacinação desse público. A gente espera que eles sejam incluídos na fila o quanto antes”, falou Pereirinha.
Risco de crise funerária
O médico infectologista Unaí Tupinambás, membro do comitê de enfrentamento da Covid-19 da Prefeitura de Belo Horizonte, alertou, na semana passada, para o risco de uma crise funerária. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o especialista destacou que a cidade, assim como todo o país, vive “um dos momentos mais dramáticos da pandemia”.
O último mês foi o mais letal da pandemia em Belo Horizonte. Foram registradas 462 mortes em fevereiro, ante 387 em janeiro. O número também é superior ao de julho do ano passado, quando houve um período de pico e 416 óbitos foram confirmados.
De acordo com a prefeitura da capital, 1.114 sepultamentos foram realizados nos quatro cemitérios municipais em janeiro. Em fevereiro, foram 875 e, em março, até a última quarta-feira (17), houve 576 enterros.


















