Um levantamento da Universidade Federal de São Carlos revelou um aumento de 821% nos discursos xenofóbicos contra nordestinos nas redes sociais durante o período eleitoral de 2022. A pesquisa analisou 282 milhões de publicações no X (antigo Twitter) entre julho e dezembro daquele ano e identificou a intensificação do uso de termos pejorativos à medida que as eleições se aproximavam.
Segundo o estudo, em outubro — mês dos dois turnos — o volume de postagens que citavam o Nordeste triplicou em relação aos meses anteriores. Expressões antes associadas a aspectos geográficos passaram a ser ligadas a estigmas e ofensas, como “pobre”, “ingrato” e “analfabeto”. A metodologia empregou técnicas de processamento de linguagem natural (PLN) e o algoritmo Word2Vec, que mapeia a proximidade semântica entre palavras.
Após o aumento dos ataques, o Brasil passou a enquadrar a xenofobia como crime equiparado ao racismo, conforme a Lei nº 9.459/97. A punição prevista é de um a três anos de reclusão, além de multa, para quem praticar, incitar ou induzir discriminação por procedência nacional. O estudo também aponta crescimento de misoginia (184%) e intolerância religiosa (522%) no mesmo período e defende a regulamentação das plataformas digitais para mitigar crimes de ódio online.
Fonte: Itatiaia
Imagem: Reprodução/Freepik















