O avanço das compras online, aliado aos parcelamentos facilitados e ao crédito disponível dentro dos próprios aplicativos, tem intensificado o endividamento e os casos de compulsão por compras no Brasil. Especialistas alertam que promoções constantes, notificações e descontos relâmpago estimulam decisões impulsivas e dificultam o controle financeiro dos consumidores.
Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 8% dos consumidores no mundo sofrem com compulsão por compras, conhecida como oniomania. No Brasil, o cenário é impulsionado pelo crescimento do comércio digital, que já movimenta cerca de R$ 258 bilhões por ano, com 80% das compras virtuais realizadas pelo celular.
A psicóloga Tatiana Filomensky, especialista em transtornos do impulso, afirma que nunca houve tantas pessoas procurando atendimento para lidar com a compulsão por comprar. Muitos pacientes enfrentam longas filas para conseguir tratamento.
A influenciadora Camila Nunes, que compartilha sua experiência nas redes sociais, relata ter acumulado 21 empréstimos e uma dívida de R$ 240 mil devido às compras compulsivas. Segundo ela, o ambiente digital potencializa o problema com estímulos permanentes de consumo.
Especialistas apontam que o parcelamento cria a falsa sensação de preço acessível, desviando a atenção do valor total da compra. A educadora financeira Ana Paula Hornos destaca que sempre existem juros embutidos, aparentes ou não, e alerta para o crescimento do uso do crédito rotativo do cartão, considerado uma das linhas mais caras do mercado.
Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que 80,4% das famílias brasileiras estavam endividadas em março de 2026. Cartão de crédito, crediários e empréstimos pessoais lideram as dívidas no país.
O relatório também aponta preocupação com plataformas que oferecem crédito dentro do próprio aplicativo, tornando o processo ainda mais rápido e impulsivo. Empresas como Mercado Livre, Shopee e TikTok já operam ou discutem sistemas próprios de pagamento e financiamento no Brasil.
Para especialistas, campanhas frequentes de descontos, lives promocionais e influenciadores digitais ajudam a criar senso de urgência e medo de perder oportunidades, favorecendo compras sem planejamento e agravando o risco de endividamento.
Crédito da foto: Freepik
Fonte: Deutsche Welle/g1















