Interiorização da violência faz cidades menores liderarem taxas de homicídio de Minas

Por Dentro De Tudo:

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Enquanto o Brasil registra a menor taxa de homicídios desde o início da série histórica, cidades de médio e pequeno porte vêm concentrando os maiores índices proporcionais de violência em diversas regiões do país. No Centro-Oeste de Minas, municípios como Pará de Minas, Nova Serrana e Itaúna aparecem à frente de Divinópolis no ranking de homicídios por número de habitantes, evidenciando o avanço da chamada interiorização da criminalidade.

Os dados são do Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento aponta que o crime tem deixado de se concentrar apenas nos grandes centros urbanos e avançado para cidades menores, movimento observado em várias regiões do Brasil.

Segundo o coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, o fenômeno está ligado principalmente à expansão e fragmentação das facções criminosas. Nos últimos anos, grupos locais passaram a disputar territórios e pontos de venda de drogas, elevando os índices de violência em municípios do interior.

Na região Centro-Oeste de Minas, Pará de Minas registrou taxa de 19,6 homicídios por 100 mil habitantes, seguida por Nova Serrana, com 16,8, e Itaúna, com 13,7. Já Divinópolis, apesar de registrar o mesmo número absoluto de homicídios que Pará de Minas, apresentou taxa de 8,3 por 100 mil habitantes devido à população maior.

O estudo também destaca que o crime organizado ampliou sua atuação para além do tráfico de drogas, envolvendo atividades como transporte clandestino, cobranças ilegais, grilagem de terras e outros mercados ilícitos. Para especialistas, cidades menores acabam se tornando mais vulneráveis devido à presença de facções locais formadas, em muitos casos, por jovens que utilizam a violência como forma de consolidação dentro do meio criminoso.

Apesar desse cenário, o Atlas aponta uma redução histórica dos homicídios no país. Entre os fatores que explicam a queda estão o envelhecimento da população, o aprimoramento das políticas públicas de segurança e mudanças na atuação das organizações criminosas, que passaram a priorizar atividades mais lucrativas e menos violentas.

A expectativa dos especialistas é de que a tendência nacional de queda dos homicídios continue nos próximos anos. No entanto, o avanço da criminalidade para cidades do interior segue sendo um desafio para as forças de segurança e exige monitoramento constante para evitar a expansão da violência em municípios de menor porte.

Foto: imagem publicada pelo g1 no material original

Fonte: g1 Centro-Oeste de Minas | Atlas da Violência 2026 | Ipea | Fórum Brasileiro de Segurança Pública

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