A Polícia Federal (PF) investiga uma organização criminosa liderada por Mario Sergio Nunes, conhecido como “Serjão do PCC”, suspeita de atuar no tráfico de drogas e lavagem de dinheiro no Triângulo Mineiro. De acordo com as investigações, o nome do investigado era utilizado por familiares para intimidar desafetos e reforçar sua influência na região.
Segundo a PF, conversas atribuídas às filhas de Mario Sergio, Bruna e Brenda Nunes, indicam que ambas utilizavam a reputação do pai em conflitos pessoais e demonstravam conhecimento sobre as atividades criminosas atribuídas ao grupo. Nas mensagens analisadas, o investigado é citado como “Serjão do Tráfico” e “Serjão do PCC”, expressões que, segundo a polícia, eram usadas para amedrontar pessoas envolvidas em desavenças com a família.
Os investigadores apontam que as filhas teriam papel ativo na estrutura da organização, especialmente na administração financeira e na movimentação de recursos considerados suspeitos. A análise das conversas reforça a suspeita de que elas tinham conhecimento da posição de liderança ocupada pelo pai dentro da facção criminosa.
De acordo com a Polícia Federal, a organização utilizava empresas de fachada, contas bancárias de terceiros, motoristas recrutados e uma estrutura logística composta por caminhões e carretas para transportar grandes carregamentos de cocaína entre diversos estados brasileiros. Uberlândia era apontada como o principal centro de recebimento, armazenamento e distribuição dos entorpecentes.
As investigações revelaram ainda um patrimônio considerado incompatível com a renda oficialmente declarada pelos investigados. Entre os bens apreendidos estão veículos importados, embarcações, motos aquáticas, propriedades rurais, um motorhome avaliado em aproximadamente R$ 1,2 milhão e um cavalo de competição estimado entre R$ 50 mil e R$ 100 mil. Um segundo flutuante motorizado também foi localizado e atribuído à família Nunes.
Segundo a PF, a organização movimentou cerca de R$ 70 milhões nos últimos cinco anos sem comprovação da origem dos recursos. A polícia afirma que o dinheiro era utilizado para financiar a logística do tráfico e ocultar patrimônio por meio de empresas e pessoas interpostas.
A investigação aponta que a rota principal do esquema ligava os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia a Minas Gerais. Familiares e aliados também teriam participado da movimentação financeira da organização.
Mario Sergio Nunes e sua filha Brenda foram presos em um hotel de Uberaba na última terça-feira (2). Já Bruna Nunes se apresentou espontaneamente à Polícia Federal na quinta-feira (4). A esposa de Mario Sergio, Maria Lourdetis Ferreira Silva Nunes, não foi alvo de mandado de prisão. O ex-genro Rhanniery Nunes Graciano é apontado pelos investigadores como um dos supostos laranjas utilizados para ocultar bens ligados ao esquema.
Em nota, o advogado da família Nunes, José Carlos de Oliveira Campos, informou que ainda não teve acesso integral ao processo, que tramita sob sigilo, e afirmou que seus clientes confiam nas instituições e estão à disposição para prestar os esclarecimentos necessários. A defesa de Rhanniery, representada pelo advogado Sérgio Luiz da Silva, declarou que acompanha os desdobramentos do caso e ressaltou a importância da presunção de inocência, do contraditório e da ampla defesa.
A Polícia Federal destaca que a investigação segue em andamento e que a eventual responsabilização dos envolvidos dependerá da conclusão do processo judicial.
Crédito da foto: PF/Divulgação
Fonte: g1 Triângulo Mineiro, matéria publicada originalmente em 7 de junho de 2026.


















